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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

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10 de Janeiro, 2018

Tenho Colite/ Crohn. Viagens: sim ou não?

Vera Gomes

 

Ter Colite Ulcerosa ou Crohn parece por vezes um fim para o mundo. Tem-se receio de sair de casa, tem-se receio de sair da rotina, tem-se receio de viajar! Mas o diagnóstico implica tornar-se num bicho que nunca sai do buraco? Pois claro que não! Com alguns cuidados e precauções (a maioria válidos para todos os viajantes), podem fazer uma viagem ao mundo sem qualquer problema. Já tinha mencionado algumas dicas aqui, mas aqui fica uma lista mais exaustiva a terem em consideração quando forem marcar as vossas férias de Verão. 

 

1) Verificar o país de destino e registo viagem

Quando começarem a planear a vossa viagem, convém saber um bocadinho mais sobre as hipóteses em cima da mesa. O site do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Conselhos aos Viajantes é obrigatório. Sobretudo quando viajarem para fora da Europa. Aqui conseguem encontrar informaçao sobre necessidade de visto ou não (para cidadãos portugueses ou portadores de passaporte português), que vacinas são requeridas e até informação sobre o clima, segurança e contactos úteis.  É

também vivamente aconselhável, sobretudo para países fora da Europa, que registem a vossa viagem: isto é, um singelo email para gec@mne.pt com a informação da vossa viagem (onde vão andar, onde vão ficar, se estarão acompanhados ou não e por quem, etc). O suficiente para em caso de sei lá: um atentado terrorista, por exemplo, a Embaixada saber quem tem que ajudar. 

 

2) Seguro de Viagem/ Saúde

Se viajarem para um país da União Europeia, é altura de obter o Cartão Europeu Seguro de Doença (CESD). Os cuidados de saúde são prestados aos portadores do CESD nos mesmos moldes que aos beneficiários do sistema de Segurança Social do país onde se encontram, o que significa que esses cuidados podem não ser gratuitos e que pode haver lugar ao pagamento de taxas moderadoras ou de comparticipações (não reembolsáveis). Logo, se têm um Seguro de Saúde, convém verificar se também abrange despesas de saúde ocorridas no estrangeiro. Se não têm, verifiquem se valerá a pena activar essa cláusula.

O ideal, para terem a certeza que está tudo ok e que não terem surpresas desagradáveis, porque não fazer um Seguro de Viagem? De preferência um que contemple tratamento médicos, extracçao, transladação (que ninguém fica para a semente e vamos morrer um dia), roubo (porque é mais frequente do que parece). Eu viajo bastante tendo em conta que viajo em trabalho e em lazer. Embora o trabalho cubra as situações desagradáveis que possam surgir, fiz na mesma um seguro de viagem que me custa cerca de 50€/ano.  Espero nunca o usar, mas se acontecer algo, estarei protegida!

 

3) Medicação

Primeiro que tudo devem ter em mente que medicação permitida num país pode não ser noutro (incluindo países da União Europeia). O idela é ter uma declaração do médico com o vosso diagnóstico e TODA a medicação que necessitam de ter assegurada diariamente (receita médica também pode ser). Segundo a ANA, este procedimento é válido igualmente caso tenham que transportar medicação líquida. 

Caso seja uma viagem de avião, nunca, mas nunca colocar a medicação na bagagem de porão. Malas extraviam-se. Querem mesmo chegar ao destino sem medicação? Além disso, a receita que levarão convosco não será válida no destino, pode não existir o medicamento no país de destino, etc etc. Bagagem de mão é a melhor opção. 

Protector solar, repelente mosquitos por exemplo fazem parte do kit básico de viagem, ok?

 

4) Consulta Viajante e médico que vos segue

Há coisas que não custam nada e o seguro morreu de velho. Falar com o gastro que vos segue e partilhar os vossos planos de viagens (de preferência antes de marcarem viagem) é imensamente aconselhável. Se nao for mais, por duas razões muito simples: 1) há medicação para DII que impede a toma de certas vacinas e medicamentos; 2) pode ajudar-vos a traçar um plano de SOS caso alguma coisa faça a tripa descontente (e isto inclui medicação SOS para levarem convosco).

A Consulta do Viajante, sobretudo se forem para fora da Europa é mais que obrigatória! Lá conseguem saber exactamente toda a situação do país, cuidados a ter e vacinas e medicaçao de profiliaxia a ter em conta. Cruzarem a informação que obtêm aqui com o vosso gastro é fortemente aconselhável.  Podem saber mais sobre a Consulta do Viajante aqui.

 

5) Comida SOS

Sejamos sinceros, malta com DII tem por vezes tantas restrições e a comida no país de destino é de tal ordem que comer seja o que for é impensável. Para estas alturas, levem na mala comida SOS. Vejam aquilo que podem comer, que não seja perecível e enfiem na mala. Just in case. E pode ser: bolachas (feitas em casa ou não); latas atum; tostas, barritas cereais. Qualquer coisa que vos faça mexer sem morrerem à fome. 

Note-se que se incluem cuidados básicos para qualquer comum dos mortais quando se viaja para certos destinos: fruta só aquela que vocês possam descascar; nada de gelo; bebidas só engarrafas e que sejam vocês a abrir a garrafa; evitar coisas tipo ovos e maioneses e similares; etc. 

 

6) Lista hospitais

No site do MNE que coloquei no ponto 1, conseguem obter uma lista de hospitais recomendados no país de destino. Pode parecer exagerado, mas se tiverem uma gastroentrite ou partirem um braço a subir uma montanha, convém uma visita ao médico, não?  Para garantir os cuidados minimos de saúde requeridos com o minimo de segurança, levem a lista convosco. Acreditem, ajuda bastante em caso de necessidade. 

 

7) Planos SOS

Malta com DII (ou com gastroentrites) nem sempre chegam a tempo ao wc. Eis que entra o plano SOS: fraldas descartáveis assegura que conseguem sair do hotel sem estarem com o stress que vão fazer pelas pernas abaixo. Por experiência (que tive 2 semanas da América do Sul com fraldas), nem notam! Ok, não dá para se esticarem a apanhar sol, mas podem sempre ir conhecer os sítios onde estão, certo? Com isto, juntam-se as toalhitas que ajudam bastante na altura de limpar a cagada. E sempre uma mochila com água, toalhitas, uma muda de roupa, uma fralda descartável e qualquer coisa para trincar. 

 

A lista de recomendações não tem que ficar por aqui, mas por hoje é tudo o que me lembrei e que considero mais importante tendo em conta que em breve terei que preparar uma viagem à Ásia (grandes planos os de 2018). Estas são recomendações feitas para pessoas com Colite Ulcerosa ou Chron, mas lembrem-se que uma viagem requer igualmente outros cuidados básicos a ter como qualquer comum dos mortais, por exemplo: fotocópia/ foto dos vossos cartões bancários, passaporte, identificação, etc.

 

Agora, tudo a ir ver promoções nas agências de viagens que viajar é viver!

 

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