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Oh pá: foi tão tão bom!

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Ora, como tinha escrito no Escadinhas , ontem estive estar na Feira do Livro supostamente a dar autógrafos. Mas por razões que para mim são óbvias, achei que quem tem que dar autógrafos são aqueles que permanecem no anonimato e na sobra, enquanto doentes enquanto cuidadores, enquanto amigos, enquanto... pessoas! E lá estive eu com o meu exemplar pronto a receber autógrafos! 

 

Confesso que só li o que escreveram, conhecidos e desconhecidos, no avião a caminho dos meus pais, que passaram um dia sozinho das tão prometidas férias. E sorri. A alma encheu-se com o carinho e as palavras de encorajamento que tinha nas páginas iniciais. Vocês são absolutamente fantásticos!

 

Houve Amigos, daqueles que se escrevem com A, que também estiveram comigo. Fizeram-me rir, deram-me a mão e abraços de conforto, fizeram-me sentir que nunca estou só! Obrigada!!!!

 

Agora... agora é tempo de descansar uns dias, carregar a bateria e depois voltar à luta! À rotina, aos projectos actuais, aos novos projectos! :) 

 

Que dizem? Conto convosco?

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No próximo Domingo, estarei an Feira do Livro a partir das 17h30, no stand da Guerra & Paz a dar autografos a quem quiser um autografo meu. Confesso que é um bocado estranho eu estar a dar autografos, porque na verdade, a "heroína" não sou eu. Heróis são todos aqueles que estão desse lado a ler o que escrevo; todos aqueles que vivem com uma Doença Inflamatória do Intestino em silêncio; todos aqueles que me aturam, nos aturam, nos momentos mais díficeis. 

 

Por isso, tenho um desafio: e se me dessem um autógrafo no Domingo? 

 

Terei comigo um exemplar do livro que tem o meu nome da capa. Mas o que quero mesmo, é que esse livro tenha o vosso nome: dos que têm uma doença; dos que não têm nenhuma doença; dos que ajudam outros que têm doenças; o nome dos que têm empatia por outros. 

 

Afinal, estamos todos juntos no mesmo barco. Estamos todos no mesmo barco. Queremos todo um futuro melhor! 

 

Que dizem: Dão-me também um autógrafo no Domingo?

4 momentos "What the Fuck" em 2 semanas em Portugal

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Quem me foi seguindo nas redes sociais (sobretudo no Instagram) percebeu que andei por terras Lusas. Uma espécie de repouso mais que merecido que o corpinho andava a ressacar por descanso, sol e boa comida. E assim foi! Foram quase duas semanas em que a alma se encheu, a pele arrecadou vitamina D q.b., e coleccionei momentos "What the Fuck".

 

  • Primeiro momento "WTF"

Cheguei a Lisboa esganada de fome porque por causa do voo não almocei. Depois de me ter instalado, dirigi-me a um estabelecimento comercial, entrei e pedi: 2 croquetes e 1 carcaça, se faz favor. Diz-me o empregado: olhe que os croquetes são de espinafres. WTF?! Espinafres?! Mas desde quando fazemos croquetes de espinafres?! Croquete que é croquete é com carne, senhores! Anda uma pessoa aqui desejosa por comer croquetes dos bons e tirar a barriga de misérias e vêm-lhe com croquetes de espinafres?! Indignadíssima, é o que fiquei!

 

  • Segundo momento "WTF"

Pastéis de bacalhau recheados com queijo da serra. WTF?! Afinfem-çhe mas é no bacalhau e deixem o queijo da serra para outras andanças! E não me venham com a treta de que é inovação, ou nouvelle cuisinem que ainda levam com um rabo de bacalhau nas trombas!

 

  • Terceiro momento "WTF"

Nos primeiros dias em Portugal, ouvi um rol de queixumes sobre quão mau Portugal é, de quão incivilizadas as pessoas são, do quão maus são os transportes públicos, do quão esquisito tem estado o tempo, bla bla bla que em Bruxels é que é, bla bla bla que sorte eu tenho de estar na Europa central, bla bla bla. Meus caros, eu concordo que há sempre coisas para melhorar, ok? Agora, tendo este ponto ficado esclarecido vamos aos restantes: 1) Aqui ninguém cede lugar a grávidas, idosos ou deficientes nos transportes públicos. Nem tão pouco há filas prioritárias seja em que lugar for, ok? Entrei num autocarro da Carris e achei que tinha entrado numa limosine: limpo, sem cheirar mal, parecia novo apesar de ter mais de 10 anos. Experimentem um transporte publico aqui: foi limpo há uns 10 anos, cheira mal, tem buracos e frinchas que faz a malta gelar no Inverno, e uns meses depois de ter chegado cá, alguém tinha feito xixi na parte traseira do autocarro. Dentro do autocarro, ok? E o tempo?! E o tempo?! Aqui passam-se 2 e 3 meses sem se ver céu azul, sempre cinza e escuro. Levantas-te de noite, deitas-te de noite e durante o dia nunca chega a estar mesmo dia à séria. Portugal, seja em que sitio for, tem uma luz fantastica, um céu azul imenso e uma comida fabulosa!

 

  • Quarto momento "WTF"

"Os salários ba Bélgica é que é. Aqui em Portugal são uma merda." Normalmente só diz isto quem nunca foi a um supermercado belga. Sim, é verdade que os salários aqui são bem mais altos do que em Portugal, sem sombra de dúvida. É um dos motivos (mas não o único) pelos quais suporto a ausência de sol, a comida merdosa e o frio que me faz ter bronquiolites só de andar na rua no Inverno. Mas se querem os salários da Bélgica, levam também com o custo de vida: uma carcaça por exemplo, não se compra por menos de 0,50€. Um café? 2€ e é barato. Um chá? 3 a 5€, e não é pelo bule: é mesmo só por uma chavena. Uma sandes merdosa? Cerca de 5€. Uma posta de salmão quase microcóspica no supermercado não custa menos de 6€. Ganha-se bem na Bélgica? Sim. Mas também gasta-se muito só para ter o minimo indispensável para assegurar a sobrevivência humana. 

 

Resumindo e concluindo, Portugal é um paraíso à beira mar plantado. E como todos os outros sítios no mundo, tem coisas boas e coisas más. Antes de começarem a desejar a galinha do vizinho e os seus ovos, lembrem-se que a galinha também tem que comer, também caga, também tem que se limpar o poleiro. 

A Incógnita Cardíaca: fadista ao vosso dispôr

Cruzei-me recentemente com uma fadista daquelas que jamais se esquecem: a incógnita cardíaca. Incógnita porque nem os músicos que estavam com ela sabiam o nome dela, nem a senhora disse qual o seu nome. Cardíaca, porque tem problemas cardíacos. E não só. Durante uns 15 minutos de espectáculo, a Incógnita Cardíaca partilhou com a audiência o que lhe ia na alma: em canção e em monólogo. Apesar do espéctaculo ter começado com qualquer coisa como 30 minutos de atrasao, ficamos a saber que a senhora faz do fado a vida dela há muitos anos e que chegou atrasada mas a culpa não é dela. Sim, não é dela, e cito: "desculpem o atraso. O mundo artístico chega sempre atrasado. A culpa não é minha, não é de vocês: é de toda a gente". Perante isto, pouco mais existe a dizer....

 

Os 15 minutos de espectáculo que podemos assitir (sim, eramos um grupo de 4 que estavamos tão pasmadas que mal conseguiamos falar) ouvimos queixas de toda a sorte. Basicamente, a pausa entre cada canção era preenchida com um rol de queixas que ia desde o dito atraso, aos problemas de saúde, às vivências mundanas do dia a dia. Creio poder concordar totalmente com a senhora: o fado é a vida dela. E está tão enraizado que é-lhe díficil estar mais de 15 segundos sem se queixar da má sorte ou sem deixar transparecer o seu... fado. 

Nem aqui me safei!

Ontem a campainha arrancou-me da cama. Estranhei, porque normalmente, os meus amigos ligam-me antes de passarem lá por casa para se certificarem que estou. Mas ontem não recebi nenhuma mensagem nem telefonema e a campainha estava a tocar.

 

Levantei-me um bocado contrariada para ver que tinha à porta o que parecia serem duas pessoas. Estavam tão coladas à campainha, que nem dava para perceber pelo visor o rosto delas. Peguei no auscultador e disse um sonoro "yes?!". Recebi resposta em Português. E eis que a paródia começou. Em português, começaram a dizer que tinham um convite para me entregar, se lhes podia abrir a porta. Como disse que não e insisti para se identificarem, continuaram a conversa. Um convite para a festa da morte de Jesus Cristo. Retorqui que nao estava interessada. Entre as remelas que ainda habitavam no canto dos meus olhos, fez-se luz: Testemunhas de Jeová! Há Testemunhas de Jeová portuguesas em Bruxelas que devem andar a correr os prédios a tentar encontrar nomes portugueses nas campainhas para abordarem e encontrarem convites.

 

Mais uma vez respondi que nao estava interessada, obrigada. Mas perante a insistência a roçar o abuso, saltou-me a pouca paciência de quem foi arrancada da cama pela campainha num Domingo de manhã cinzento e chuvoso e saiu-me um sonoro: "Deixe na caixa de correio, leve consigo, não quero saber! Agora desampare-me a loja!".

 

Mais tarde no decorrer do dia, e já com o cérebro a funcionar, lembrei-me que em Lisboa também costumava sair da cama ao Domingo com Testemunhas de Jeová a divulgarem a palavra. E como começam a trabalhar cedo...! Um dia perdi a paciência. Não sou pessoa que gosta de repetir o mesmo muitas vezes. Por isso, abri a porta com a faca do pão na mão e vocirei um sonoro "algum problema?!". Remédio santo: a faca do pão apesar de "inofensiva" assusta pelo tamanho e eu pude finalmente começar a ter manhãs domingueiras sossegadas. Nunca pensei é que me encontrassem aqui....

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