Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cultura e tradição não são o que eram!

90528_1.png

 

Cresci com animais criados pelos meus avós para abate e consumo próprio: galinhas, coelhos, porcos. Tão depressa estava a tratá-los como animal de estimação como eram o jantar nesse dia. Ajudei muitas vezes na matança do porco: segurava a bacia para recolher o sangue enquanto o matador enfiava a faca na jugular. Segurei as patas traseiras dos coelhos para a minha mãe esfolá-los. Segurava as galinhas para serem mortas e depois ajudava a depená-las. Não sou, em parte por isso, uma pessoa facilmente impressionável. 

 

Algures nos meus vinte e poucos anos, fui a Madrid pela primeira vez e ofereceram-me bilhetes para ir à La Ventas, a praça de touros. Lembro-me de entrar e sentir que estava num coliseu romano, com lugares apertados e totalmente apinhado para verem com expectativa o que se seguia. 

 

O primeiro touro entrou na arena e fiquei imediatamente apreensiva e com vontade de me ir embora. O touro entrou já com sangue a escorrer-lhe na pele e no dorso. O toureiro fingia uma dança que na realidade não era mais do que uma tortura maquiavélica num animal que já à partida estava numa posição inferior. Nunca seria uma luta de igual para igual. A certa altura, o toureiro sacou de uma espada para o golpe de triunfo do ser humano sobre um animal indefeso. Falhou. Falhou miseravelmente e o que vi impressionou-me, enojou-me, chocou-me. Ainda hoje tenho a imagem bem presente do touro a vomitar sangue por todos os orificios e em agonia enquanto esperava que alguém lhe aplicasse um golpe de misericórdia e terminasse com o seu sofrimento. 

 

A multidão que assistia não gostou do que viu, mas apenas porque o toureiro "não era grande coisa" conforme me explicaram. Não sei como não vomitei de nojo ali mesmo. Não conseguia sair, não estava sozinha e tive que ficar até ao fim, em que basicamente passei o resto do "espetáculo" de olhos no chão, recusando-me a ver.  

 

A diferença entre a tourada e a matança dos animais que os meus avós faziam não podia ser tão díspare. Os meus avós respeitavam o animal, tentavam dar-lhe uma morta rápida e sem dor. Matavam para comer. Não para se divertirem. E ai de quem estivesse a asssitir com pena do bicho ali ao pé, porque segundo a minha avó, isso prolongava a agonia ao animal e nem pensar! Além disso, não era um espectáculo para se ter assistência. 

 

Cruzei-me por acaso, com uma publicação no Facebook de um "ATL inclusivo" em que levaram crianças a assistir a uma tourada. Não sei muito bem como é que este tipo de actividade é inclusiva ou se as pessoas responsáveis pela essa actividade têm noção do que significa a palavra "inclusão". 

 

Não me digam que é tradição: na Idade Média também era tradição comer com as mãos, todos da mesma travessa, e limpar as mãos aos cães que circundavam a mesa; tamém era costume urinar e defecar para baldes e atirá-los para a rua, sem se importarem com quem passava debaixo da janela (daí a expressão "água vai"); a tortura da inquisição e a pena de morte também era "tradição" e "cultura"; trabalho infantil também era "tradição" até há bem pouco tempo; casamentos combinados por interesses e sem consentimento dos noivos também eram "tradição" (e em alguns sitios ainda são). Os meus avós há muito que não fazem matanças. Mas torturar um animal até à morte apenas por diversão continua a existir  e a ser "cultura" e "tradição".

 

Uma coisa sei: sim,eu ajudei a mater galinhas, coelhos e porcos para consumo próprio. Mas jamais serei capaz de apoiar uma tourada. 

 

 

3 constações depois de uma semana no Algarve

escadinhas.blogs.sapo.pt.jpg

 

 

Estive uma semana de férias no Algarve pela primeira vez na minha vida. Sim, é verdade, nunca tinha estado uma semana no Algarve. E depois de ter estado lá uma semana,  ter gostado imenso de ter estado com os papás e sol, mar e areia, e depois de estar há 6 anos fora de Portugal, deu para que há coisas que não mudaram, sendo elas: 

 

 

Da série "A estupidez humana não tem limites" #4

download.jfif

 

Há já algum tempo que não escrevia nada nesta magnifíca rúbrica que nos faz desejar que as viagens para Marte rapidamente se tornem realidade.  Não é por falta de inspiração, que tenho coleccionado pérolas que um dia destes até escrevo outro livro só com as bacoradas que me vão dizendo. Contudo, esta semana, talvez por causa da Primavera, têm sido umas atrás das outras. Como a semana ainda não acabou e eu não tenho todo o tempo que gostaria para escrever posts, deixo-vos aquela que me fez soltar um "what da fuck?!" tão sonoro que o Nano até deu um salto e largou o osso. 

 

 

2 coisas mais esquisitas que já vi nos aviões num único voo!

IMG_2014.jpg

 

 

Não é novidade nenhuma que viajo bué a nível profissional. Em 2018 não estive mais de mês e meio em casa sem ter uma viagem (ok ok algumas foram viagens pessoais). 2019 já começou e já tenho viagens marcadas ou previstas pelo menos até Julho. Este mês, 3 semanas = 3 viagens. Em Março serão no total duas semanas fora de casa. Ora, com tanta rodagem já vi coisas muito estranhas nos aviões, mas confesso que ontem, vi duas que entraram directamente para o Top 2 sem passarem pela casa da partida! Senão, digam-me lá quantas vezes já viram isto:

 

 

De manhã começa o dia: as 3 coisas que já aprendi hoje!

5cbd390a72fc413804b7d15060d4f4d3.jpg

 

Comecei o dia as 9h na cadeira do dentista com uma carga de anestesia considerável (como é habitual a dose usual não funciona comigo) e aprendi o seguinte:


1)  é frequente malta com auto-imunes ter problemas com a anestesia (tenho sem sombra de dúvida um longo historial neste campo, mas vou a primeira vez que um dentista pôs as coisas nestes termos);


2)  malta alérgica ao látex não pode (ou deve evitar) comer kiwi, morangos e banana (qualquer coisa como alergias cruzadas... O meu francês não deu para mais. Mas depois de perguntar a quem sabe mais do que eu, o nome é Síndrome de Reactividade Cruzada. A boa notícia é que não ocorre em todos os alérgicos ao látex);


3)  anestesia no nervo XPTO perto do maxilar que não me lembro o nome, pode pôr um individuo durante umas horas sem conseguir fechar o olho do lado em que levou anestesia. Aí é pôr soro fisiológico; fechar a pálpera com os dedos cuidadosa,ente e pôr uma compresa embebida em soro fisiológico e esperar que o efeito da anestesia passe. 

 

E pronto: dizer que devemos aprender qualquer coisa nova por dia. Por hoje já chega. Vou ali ficar à espera que voltar a sentir metade do meu rosto para ver se como qualquer coisa e se consigo fazer uma coisa tao básica como...pestanejar!...

 

Detox ao cólon: boa ou má ideia?

colon-detoxification.jpg

 

Confesso, em 11 anos de Doença inflamatória do Intestino já perdi a conta às vezes que me disseram para fazer detox e em particular, detox ao colon (aka: hidrocolonterapia ). O que consiste uma hidrocolonterapia ? Bom, basicamente numa lavagem ao cólon. Literalmente enfiar um tubo ou um clister e "lavar" o intestino, tipo limpezas de Primavera que as nossas mães costumam fazer lá em casa. 

Segundo o Pinto Coelho, rei da pseudomecidina em Portugal:

 

 

Seis sintomas de doença de Crohn que não pode ignorar... ou deve?

Capture.JPG

 

 

Hoje, numa das minhas idas ao wc para despejar a tripa cruzei-me com um texto (nem sequer lhe consigo chamar noticia) intitulado "Seis sintomas de doença de Crohn que não pode ignorar". Ora, por curiosidade e por ter todo o tempo do mundo para ler no wc, cliquei. E li. E até senti a minha tripa a ter uns espasmos involuntários (que ajudaram a despachar-me mais rápido) com o alarmismo e ignorância com que me deparei.

Vamos por partes e tiremos o nosso tempo para dissecar o que por ali foi dito. Se estiverem no wc, este post é uma excelente companhia.

 

 

Sempre sempre a somar pontos!

7a50fa85816d4f8d03fd68bf083b049a.jpg

 

É sabido que no Verão volto às aulas de uma língua estrangeira e nos últimos 2 anos tenho-me dedicado ao neerlandês (depois de refrescar o francês e o alemão). Masoquista, é o que se sou. Isto porque aulas de línguas no Verão significa curso intensivo. Ou seja: 3 semanas com 4h diárias (seguidas) de aula. Equivale a abrir a cabeça e enfiarem um nível directamente na massa cinzenta. Dói. Muito. Mas resulta. 

 

A primeira aula deste ano  começou logo em grande e passei 4h a rever gramática. Acreditem: colonoscopias sem anestesia ao lado de gramática neerlandesa é mel! E eu tenho muita experiência em colonoscopias, como sabem!

 

A segunda aula revelou todo o potencial que existe em mim e como se prevê que as próximas duas semanas e meia se desenrolem. Senão atentem ao brilharete desta menina: 

 

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Onde compro livros

Blogs de Portugal

Bloglovin