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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

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25 de Outubro, 2018

Semana Europeia de gastroentrologia: 4 pontos a reter e participação portuguesa!

Vera Gomes

 

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Terminou ontem a UEG WEEK, que este ano teve lugar em Viena. Este é um dos maiores eventos Europeus na área de gastroenterologia, que reúne especialistas, investigadores e estudantes de todo o mundo para discutirem as últimas novidades ou os últimos avanços desta área. 

 

Este ano, e como a imagem acima mostra, houve 4 grandes novidades, 3 das quais são, na minha opinião, importantes de reter:

1) pela primeira vez há evidência de microplásticos dentro de humanos

2) Doença de Crohn tem uma ligação com a Peste Negra

3) Óleo de Cannabis melhora alguns sintomas da Doença de Crohn mas não tem nenhum efeito anti-inflamatório na mucosa do intestino. Por isso, e nas palavras do médico israelita que dirigiu a investigação "Por enquanto, no entanto, só podemos considerar a cannabis medicinal como uma intervenção alternativa ou adicional que proporciona alívio temporário de sintomas para algumas pessoas com doença de Crohn."

 

Um outro ponto de discussão, que apesar de não ter tido grande destaque publicamente, é importante saber por quem tem uma doença inflamatória do intestino.

 

 

4) Foi apresentado um estudo sobre o uso de vitamina D em altas doses. O resultado? Nada de novo. Como já se previa: nenhuma eficácia para cicatrizar a mucosa. E a verdade é que o paciente até pode ficar sem sintomas mas a mucosa não cicatriza. Como resultado, a doença vai complicar de novo alguns anos depois com fístula ou cirurgia. Ou seja, durante um período o paciente pode não ter sintomas, o que dá a falsa impressão que a doença está controlada. Por isso, se querem uma solução sustentável a longo prazo, esqueçam o Protocolo de Coimbra, os Pinto Coelhos desta vida e similares.É importante não confundir o tratamento de reposição da vitamina D quando está baixa, que é feito por rotina e tem apenas a finalidade de corrigir a vitamina, com o tratamento da doença em si com altas doses de vitamina D (isto é acima de 50.000 unidades) - o chamado protocolo Coimbra. Este, além de não funcionar nem ter qualquer fundamento, traz risco de formação de cálculos renais, problemas ósseos e metabólicos. Ao contrário do que é apregoado é um procedimento com riscos e como foi discutido na UEG WEEk em Viena, sem resultados na cicratizaçao da mucosa, que é o objectivo no tratamento das doenças inflamatórias do intestino.

 

A presença portuguesa também se notou neste evento (e não ficou só limitada aos exemplos que coloquei abaixo):

 

 

Dr.ª Cátia Arieira, especialista do Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, levou um trabalho de investigação  "Crohn's disease: what can we expect from the course of the disease?" à UEG Week 2018. 

 

O Dr. João Carlos Silva, interno de gastrenterologia do Centro Hospitalar V. N. Gaia/Espinho, apresentou também um caso clínico complexo de um doente de 46 anos com doença de Crohn ileocólica e perianal de fenótipo penetrante, com uma classificação de Montreal A2L3B3p. No vídeo, o Dr. João Carlos Silva explica detalhadamente o caso clínico que apresentou em formato de e-poster.

 

 

 

 

 

 

Convém relembrar que as Doenças Inflamatórias do Intestino afectam mais de 3 milhões de europeus e custa mais de 5.6 biliões de euros aos sistemas de saúde. Em Portugal estimam-se mais de 20 mil portugueses (e o número nao para de aumentar) que têm uma das doenças inflamatórias do intestino, sendo as mais comuns Crohn e Colite Ulcerosa.