Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

Quando foi a última vez que deram sem esperar nada em troca?

✨Fazer o bem sem olhar a quem _..✨

 

 Os últimos dias têm sido uma aventura. Nada a que não esteja habituada, mas algo que se dispensava. Hoje escrevo este texto na cama do Hospital onde estou à espera de fazer uma colonoscopia/ endoscopia e com a esperança que o meu médico esteja errado e me deixe voltar para casa mais logo.

 

 

Uma consulta de rotina na passada quinta feira fez disparar os alarmes que afinal, o doce período de remissão talvez tenha chegado ao fim. É necessário verificar como está o intestino para, caso necessário, reagir atempadamente e evitar que acabe nesta mesma cama, como foi em 2016.

 

Quem me conhece sabe que trago amuletos de cada vez que venho para o hospital. Hoje não foi excepção. Mas hoje é um especial, porque é algo que me foi dado por uma desconhecida. Alguém que nunca me viu antes e que me ofereceu algo especial para ela.

 

Na quinta feira no meio do imprevisto, e tendo em conta que na sexta feira ia para Portugal para o aniversário da Mamã, era imperativo conseguir uma consulta com o anestesista. Só que… na hora de almoço tinha um evento que organizei no trabalho e tinha mesmo que lá estar para fazer a abertura. Olhei para a administrativa que estava a tratar das marcações para hoje e da consulta e disse-lhe: “Tenho um desafio para si. Preciso da consulta com o anestesista hoje e de à tarde, depois das 15h, porque tenho que regressar ao escritório e depois volto”.

 

Ela riu-se. Manifestou a grande dificuldade que seria tal proeza porque já havia mais doentes do que suposto para serem vistos. Levantou-se e foi falar com alguém. Quando voltou, riu-se e disse-me: “o anestesista vê-a às 15h. E tem um desafio para si: que quando vier traga uma caixa de chocolates”. Rimo-nos as duas.

 

Quando voltei à tarde, mesmo junto à porta de onde tinha que estar, há uma florista que vende chocolates. Comprei duas caixas pequenas: uma para a administrativa outra para o anestesista. Afinal de contas, mesmo que não tivessem percebido, ajudaram-me a manter a minha sanidade mental e a minha reputação profissional nesse dia.

 

Quando saí da consulta com anestesista, a administrativa correu atrás de mim. Confesso que estava esgotada, eram quase 16h e ainda nem tinha conseguido almoçar e queria mesmo era ir comer qualquer coisa e voltar para casa para trabalhar no que deveria entregar ainda nesse dia. Ela sorriu. Um daqueles sorrisos que ilumina uma noite escura e disse-me: “tenho uma coisa para si. Sou eu que faço e por acaso hoje tenho um comigo que trouxe para as minhas colegas verem. Quero que fique com ele e que o traga consigo na segunda feira quando for internada.”

 

IMG_20190909_091625.jpg

 

Nem queria acreditar. Aceitei. Sorri de volta aquela pessoa que nem me lembro do nome, mas que jamais a irei esquecer. Sem que ela soubesse, salvou-me duas vezes num dia. E hoje, o que ela me deu, veio comigo.

 

Alguém me disse há dias que “bem atrai o bem”. Numa altura em que todos nós somos tão egoístas, é incrível o que um pequeno gesto pode fazer. Hoje a minha mascote é para me lembrar que ainda há bondade no mundo e nós só temos que ser os primeiros a sorrir para que o mundo nos sorria de volta.

 

 

 

2 comentários

Comentar post