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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

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07 de Dezembro, 2017

Os 7 tipos tratamentos possíveis para Colite Ulcerosa e Doença de Chron

Vera Gomes

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O tratamento deve começar pelo diagnóstico preciso. Este depende do conjunto da história clínica, dos resultados dos exames físico, endoscópico, radiológico e histológico, assim como dos exames laboratoriais. O resultado desta investigação permite distinguir doença de Crohn da colite ulcerosa.

 

O objectivo do tratamento da doença intestinal é reduzir a inflamação que desencadeia seus sinais e sintomas. Nos melhores casos, isso pode levar não só ao alívio dos sintomas, mas também à remissão a longo prazo e redução dos riscos de complicações. O tratamento das DII geralmente envolve terapia medicamentosa ou cirurgia.

 

O tratamento da DII vai depender da gravidade, da extensão e do local envolvido. Um grande número de drogas que actuam como anti-inflamatórios gerais ou selectivos têm sido empregados, porém consegue-se a remissão das crises, mas não a cura da doença. Mesmo com o alivio dos sintomas é de extremamente importância manter o tratamento pelo tempo recomendado pelo médico. Só porque os sintomas aliviam, não significa que a doença está em remissao ou sob controlo. 

 

Toda a medicação tem efeitos secundários possíveis e por isso é recomendado de manter a posologia e a duração de tratamento recomendada. Certas medicações requerem uma monitorização próxima, que pode por vezes parecer restritiva, sobretudo para pacientes recentemente diagnosticados. No entanto, é um preço a pagar para atingir remissão em segurança. 

 

Posto isto, quais sao os tratamentos existentes?

1) Ácido 5-aminosalicílico (5-ASA)
Os fármacos anti-inflamatórios são frequentemente o primeiro passo no tratamento da doença inflamatória intestinal. A medicação que toma depende da área do  cólon afetada. Os anti-inflamatórios incluem: Sulfasalazina (Salazopirina, Azulfidina); Mesalazina de liberação retardada (Asacol, Pentasa, Salofalk, Mezavant, Lialda); Balsalazida (Colazida); Olsalazina (Dipentum).

O tratamento de manutenção com 5-ASA pode ser efetivo para manter a remissão da colite ulcerativa.

 

2) Corticosteróides
Corticosteróides têm sido empregados quando o 5-ASA se mostra ineficiente. Os corticosteroides não são primeira escolha no tratamento devido aos seus efeitos secundários. Eles provavelmente agem pelas mesmas propriedades funcionais relativas dos processos inflamatórios. Parecem controlar a doença de uma maneira complexa. O uso tópico de corticosteróides, como enemas de hidrocortisona, podem ser usados como alternativa ao 5-ASA para doentes com proctite ulcerativa ou colite ulcerativa distal. Prednisona ou prednisolona oral são usadas com moderação em colites severas, sendo a administração intravenosa reservada para pacientes graves que requerem hospitalização. Cuidados especiais devem ser tomados no uso prolongado de corticosteróides, pois é frequente o aparecimento de hipertensão arterial, diabetes e osteoporose.

Neste grupo estão includidos: Predinisona, Budesonide (Entocort), Prednisolona, Hidrocortisona, Betametasona (Betnesol) e Metilpredinisolona (Solu-Medrol). 

 

3) Agentes imunossupressores 

Estas drogas funcionam de diversas maneiras para suprimir a resposta imune que libera substâncias químicas induzindo inflamação na mucosa intestinal. Para algumas pessoas, uma combinação destas drogas funciona melhor do que uma droga isolada.

Alguns exemplos de drogas imunossupressoras incluem azatioprina (Azasan, Imuran), mercaptopurina (Purinethol, Purixan), ciclosporina (Gengraf, Neoral, Sandimmune) e metotrexato (Trexall).

 

4) Biológicos (imunomodeladores)

Tem-se expandido o papel dos imunomoduladores no tratamento de pacientes com DII. Estes agentes são geralmente úteis para pacientes nos quais a dose de corticosteróide não pode ser diminuída ou descontinuada. Estas drogas, da mesma forma que os corticosteróides, expõem os doentes ao risco de infecção oportunista. Uma classe de medicamentos chamados inibidores de factor de necrose tumoral (TNF) ou biológicos, funciona neutralizando uma proteína produzida por seu sistema imunológico. Exemplos incluem infliximab (Remicade), adalimumab (Humira) e golimumab (Simponi). Outras terapias biológicas que podem ser utilizadas são natalizumab (Tysabri), vedolizumab (Entyvio) e ustekinumab (Stelara).

 

A abordagem de tratamento depende do quadro clínico de cada um e cabe ao médico decidir com o portador de DII qual a melhor abordagem de acordo com o seu quadro clinico. A imagem abaixo mostra duas estratégicas possíveis: ou começa-se pelos 5-Asas e vai-se escalando consoante a evolução do paciente; ou começa-se pelo topo da piramide (cirurgia em casos que assim o requeiram ou biológicos). Em 10 anos de Colite Ulcerosa a estratégia de tratamento que segui em crise tanto foi uma como a outra, dependendo da severidade das minhas crises. 

 

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No quadro abaixo podem ver como a medicação é administrada. Umas têm que ir cuzinho acima, outras direactamente na veia outras via bucho. Há pacientes que toleram melhor certos meios de administração de medicaçao do que outros. Eu por exemplo, não tolero e até pioro da sintomlogia, se andar a enfiar coisas no cuzinho. 

 

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No entanto, em certos casos é necessário ainda outras formas de tratamento adicionais.

 

5) Antibióticos

Os antibióticos podem ser utilizados além de outros medicamentos ou quando a infecção é uma preocupação - por exemplo, em casos de doença de Crohn perianal. Os antibióticos frequentemente prescritos incluem ciprofloxacina (Cipro) e metronidazol (Flagyl).

 

6) Outros medicamentos e suplementos

Além de controlar a inflamação, alguns medicamentos podem ajudar a aliviar seus sinais e sintomas, mas sempre fale com seu médico antes de tomar qualquer medicamento de venda livre. Dependendo da gravidade da sua DII, o seu médico pode recomendar um ou mais dos seguintes itens:

- Medicamentos anti-diarréicos. Um suplemento de fibra - como o pó de psyllium (Metamucil) ou metilcelulose (Citrucel) - pode ajudar a aliviar a diarréia leve a moderada, adicionando volume às suas fezes. Para uma diarréia mais grave, a loperamida (Imodium A-D) pode ser eficaz. Alguns destes medicamentos, como a loperamida (Imodium, por exemplo), estão disponíveis sem receita médica. Outros, como o difenoxilato (Lomotil, por exemplo), estão disponíveis apenas com receita médica.Estes medicamentos conteêm ingredientes que retardam ou param os espasmos nos intestinos que causam sintomas. Contudo podem ser perigosos wuando usados com inflamação moderada ou grave do cólon, porque eles podem causar uma complicação séria chamada megacólon tóxico em que o cólon incha para muitas vezes seu tamanho normal (e cujo tratamento é remoçao total do colon). Por isso, antidiarreicos somente sob a supervisão do seu médico. Parar imediatamente de tomar se tiverem febre ou dor de barriga severa. Se tomaram antidiarreicos durante 10 dias e ainda tem diarréia, é altura de falar com o médico.

- Alívio da dor. Para dor leve, seu médico pode recomendar acetaminofeno (Tylenol, outros). No entanto, o ibuprofeno (Advil, Motrin IB, outros), o naproxeno sódico (Aleve) e o diclofenac sódico (Voltaren) provavelmente irão piorar seus sintomas e também piorar sua doença.
Suplementos de ferro. Se tem sangramento intestinal crónico, é muito provavel que desenvolv anemia ferropriva e precisa tomar suplementos de ferro. Contudo, suplementos orais de ferro podem ser contraproducentes em doentes de DII por provocarem mais diarreias e sintomologia. Nesse caso, ferro intravenoso é prescrito pelo médico.
Suplementos de cálcio e vitamina D. A doença de Crohn  e Colite Ulceorsa os esteróides usados ​​para tratá-las podem aumentar o risco de osteoporose. Nestes casos, poderá ser necessário tomar um suplemento de cálcio com vitamina D adicionada.

 

7) Cirurgia

Se a dieta e o estilo de vida mudar, a terapia com medicamentos ou outros tratamentos não aliviam os sinais e sintomas da DII, o  médico pode recomendar a cirurgia.

Cirurgia para colite ulcerativa: A cirurgia geralmente pode eliminar a colite ulcerativa. Mas isso geralmente significa remover todo o cólon e recto (proctocolectomia).

Na maioria dos casos, isso envolve um procedimento chamado anastomose anal da bolsa ileal. Este procedimento elimina a necessidade de usar uma bolsa para coletar fezes. O cirurgião constrói uma bolsa do final do intestino delgado. A bolsa é então anexada directamente ao ânus, permitindo que expulsar o lixo de forma relativamente normal.

Em alguns casos, uma bolsa não é possível. Em vez disso, os cirurgiões criam uma abertura permanente no abdómen (estomago ileal) através da qual as fezes são passadas para coleta num saco em anexo.

Cirurgia para a doença de Crohn: Pelo menos metade das pessoas com doença de Crohn exigirá pelo menos uma cirurgia. No entanto, a cirurgia não cura a doença de Crohn.

Durante a cirurgia, seu cirurgião remove uma porção danificada do trato digestivo e depois reconecta as secções saudáveis. A cirurgia também pode ser usada para fechar fístulas e drenar abscessos.

Os benefícios da cirurgia para a doença de Crohn são geralmente temporários. A doença geralmente repete-se, frequentemente perto do tecido reconectado. A melhor abordagem é seguir a cirurgia com medicação para minimizar o risco de recorrência.

 

 

NOTA: Nada do que escrevi ou escrevo no Escadinhas se sobrepõe à opinião do vosso médico. Se têm dúvidas peçam uma segunda opinião a um médico espcializado. 

4 comentários

  • Perfil Facebook

    Vera Gomes

    09.01.18

    Caro Anónimo!

    obrigada por ter passado por aqui e por ter deixado o seu comentário.
    Quanto à questão que coloca, bom... na realidade depende. Depende de cada um de nós, do estado da doença, e se de facto responde aos corticoides ou não. Caso não responda, outras opções de tratamento terão que ser consideradas.

    Na verdade este tipo de doença demora bastante tempo até estar sob controlo ou até entrar em remissão total (e há quem nunca tenha conseguido estar em remissão total. De uma forma simplista (mesmo muito simplista) imagine que tem uma ferida aberta numa mão e que começa a fazer tratamento para a mesma cicratizar. Demora imenso tempo e depois com um ou outro gesto, ou porque embarrou em alguma coisa a ferida volta a abrir, e irá fazer com que o processo de cicratização demore ainda mais tempo. A Colite é o mesmo principio. A inflamação provoca ulceras no intestino (feridas) que demoram a cicratizar. Só que o intestino tem sempre coisas a passar que a malta também precisa de comer para sobreviver, não é? E às vezes a coisa não corre lá muito bem, sobretudo porque pessoas com DII fazem intolerâncias temporárias (literalmente o que ontem fez mal hoje pode não fazer e vice-versa). E às vezes a doença está tão forte que a medicaçao nao produz o efeito desejado. Daí a necessidade de monitorizaçao constante. Acresce ainda que só porque deixa de ter diarreias, ou porque se sente melhor, não significa que as feridas estejam cicratizadas ou que o sistema imunitário tenha parado de atacar o intestino. É necessário continuar com o tratamento até deixar de ter qualquer sinal de inflamaçao incluindo a nível microscopico. Só porque os olhos nao vêem nao significa que ela não esteja lá.

    A minha primeira experiência com os corticoides foi bastante... peculiar. Além de ter engordado como uma porca, notei melhorias ao fim de umas semanas. Contudo, duas semanas após os ter deixado, os sintomas voltaram como se nada tivesse acontecido e por isso tive que avançar para outros tratamentos. Importante em ter em mente é que os corticoides têm efeitos secundários possíveis a longo prazo e irreversiveis, como osteoporose, e por isso é recomendado que a sua toma não exceda os 3 meses. O médico irá sempre pesar os beneficios vs os riscos no bem estar geral do paciente na hora de decidir se avança/ prolonga o tratamento com corticoides.

    Espero ter ajudado na sua questão!
    Bom dia! :)
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    10.01.18

    Bom dia e obrigado pela resposta. A minha questão surgiu porque iniciei a toma de esteroides há cerca de uma semana sem que existam ainda resultados visíveis e estava convencido de que ao fim de alguns dias após o início do tratamento entraria em remissão. Na verdade acreditava que eram os cortucóides que seriam a minha salvação. Ainda tenho pela frente cerca de 2 meses de toma mas à espera por resultados chega a ser desmotivante...
  • Perfil Facebook

    Debora Gomes

    15.03.18

    Vera, gostei muito do seu post. Está mesmo tudo aí. Tal e qual. O meu marido tem a colite à 10 anos e nunca esteve em remissão. Só alívio quando faz corticoides. No entanto agora após o transplante de figado por Colangite esclerosante (1 mês de cirurgia) pensava que ia sentir melhoras no intestino. O que não lhe parece. Está a fazer o salofalk 3gr por dia e 10mg de corticoides. Gostávamos tanto que ele melhorasse a sua qualidade de vida. Será que não há alternativas... Um bem haja. Boa noite.
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