Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O meu primeiro (e espero último) internamento

IMG-20161020-WA0005.jpeg

 

 Admito: em 2016 estava mesmo mesmo na merda. Entrei de baixa no dia 2 de Agosto e sem data de regressar à minha vida normal, de uma forma completamente inesperada (apenas para mim que andava em negação). Há meses que não andava bem, tinha semanas em que andava melhor, semanas em que não me aguentava de pé entre perdas de sangue e diarreia. Devo admitir que houve algo positivo: é só nas alturas de crise que perco a celulite nas pernas, mas infelizmente o motivo para isso é que perco imenso peso, gordura, massa muscular e sabe-se lá mais o quê.

 

Duas semanas depois de ver o médico (uma terceira opinião), comecei a fazer o tratamento biológico (o Infliximab) e a participar num estudo clinico. Desde o ínicio que o médico dizia “acho que vais ser uma late responder”, como quem diz, a coisa não vai funcionar logo logo, mas com o passar das semanas, percebeu que “eh pá: se calhar enganei-me”. Na semana 10 de tratamento, fizemos a colonoscopia de controlo. Silêncio brutal na sala. Apesar de todas as

melhorias físicas e nos exames de controlo eu fazia todas as semanas, o intestino continuava tal e qual como dantes. Foi um choque para todos.

 

Como era final do dia, o médico mandou-me ir a casa, fazer mala e no dia seguinte cedinho apresentar-me no hospital para ser internada. Nessa mesma semana, 2 dias antes, tinha regressado em part-time ao trabalho. Assim para ver como a coisa corria. Quando telefonei ao meu chefe para lhe dizer: “olha, vou ser internada e não sei quando volto ao trabalho”, não consegui conter as lágrimas. O mundo desabou naquele momento e eu só queria a minha vida de volta. Chorei, gritei, mandei umas caralh*d*s. Disse ao Mais que Tudo: “olha sabes que mais? Hoje vamos comer uma pita. Assim como assim vou estar no hospital, se correr mal estarei no sitio certo”.

 

 

IMG_20161021_141121.jpg

 

 

 

No dia seguinte apresentei-me de armas e bagagens no hospital. Não havia cama em gastroenterologia e por isso fiquei em Oncologia. Primeira acção executiva: sacar os post-its que tinha na mochila e fazer um sorriso na janela ao lado da minha cama. Segunda acção executiva: fazer a manicure e maquilhagem à minha colega de quarto. Terceira acção executiva: todos os dias levantar-me, tomar banho, tirar o pijama, fazer a cama e sentar-me nela. Todos os dias, fazer a minha maquilhagem e a da minha colega de quarto e outras na mesma ala. E a minha quarta acção executiva: lançar uma petição em Portugal, escrever um livro, e usar o que eu sei fazer melhor para ajudar outros como eu.

 

3 comentários

Comentar post

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Onde compro livros

Blogs de Portugal

Bloglovin