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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

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22 de Junho, 2020

E se as estrelas caíssem do céu?

Vera Gomes

E se as estrelas caíssem do céu_.png

 

Estava um vendaval como nunca se tinha vivido. Vento forte, mesmo forte, que levava tudo à frente. Tudo sem exceção! Não havia quem aguentasse! Até que… num sopro mais pronunciado, levou tudo, até as estrelas!

 

O mundo embrulhou-se num manto de escuridão como nunca dantes foi visto. E agora? Ninguém conseguia ver nada e andavam às palpadelas. Ninguém se conseguia guiar, e ficaram sem saber para onde ir. Ainda tentaram entreolhar-se, mas estava tão escuro que ninguém via ninguém.

 

Então alguém se lembrou de começar a falar a tentar organizar a multidão que permanecia no mesmo lugar.

- Quem vai a Este, perguntar ao Sol que nasce sempre naquele lado, se viu as Estrelas do outro lado do mundo?

 

Uma voz cheia de convicção respondeu: Eu vou!

Era a Maria, a menina da bicicleta roxa que vivia na praça e andava sempre perdida sem encontrar rumo.

 

A multidão que outrora de enchera de esperança, soltou um suspiro de desânimo. A Maria? Como é que ela vai encontrar o Sol?

 

Mas Maria, não se demoveu! Pegou no frasco de pirilampos que guardava na mochila, pô-lo no cesto da bicicleta e com o brilho dos pirilampos a mostrar o caminho, lá começou a pedalar.

 

Pedalou, pedalou, pedalou. Tudo escuro que nem um breu em seu redor. Ruídos estranhos e esquisitos que nunca tinha ouvido antes. Estremeceu de medo, mas manteve-se determinada a pedalar.

 

Ao fim de algum tempo, começou a ver uma linha de luz no horizonte. Eureka! O Sol estava ali!!! Apontou o guiador da bicicleta na direção da luz e continuou a pedalar até que chegou perto do Sol.

- Sol, quando estiveste do outro lado do mundo: viste as estrelas?

 

O Sol, no calor do seu abraço, respondeu:

- Nem por isso. Só vejo a Lua ocasionalmente quando ela se mete à minha frente para me esconder!

Maria baixou a cabeça num suspiro. Estava cansada de tanto pedalar e o Sol não foi grande ajuda.

 

Por uns momentos pensou em desistir. Afinal de contas, é só uma criança. Que é que ela podia fazer?! Sentou-se no chão a olhar para os pirilampos que a acompanhavam naquela jornada. E eis que teve uma ideia! Porque não colar os pirilampos no céu? Também cintilam como as estrelas!

 

Maria pedalou de volta e o Sol acompanhou-a todo o caminho. Apesar de não saber quem eram as estrelas, a única que conhecia era ele mesmo, mas estava tão excitado com a ideia da Maria, que porque não?

 

Maria chegou à praça. As pessoas continuavam paradas e sem se mexerem completamente desnorteadas. Maria gritou: eu sei o que fazer! Vamos apanhar os pirilampos e deixá-los cintilar no céu!

 

As pessoas entreolharam-se sem perceber muito bem. Que absurdo! Colar pirilampos no céu! O Sol não gostou daquela agitação e de fininho começou a ir-se. A escuridão começou a chegar, a preocupação começou a amontoar-se, as pessoas ganharam coragem e abraçaram-se o absurdo: pegaram em fita cola e começaram a pôr os pirilampos no céu.

 

Quando a escuridão se instalou de vez, desta vez as pessoas conseguiam ver-se, conseguiam-se guiar e saber para onde ir: as novas estrelas estavam no céu. A cintilar. E a Maria da bicicleta roxa, estava de sorriso de orelha a orelha, porque encontrou o Sol e as estrelas.

 

 

 

 

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