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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

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24 de Janeiro, 2019

É preciso falar disto: 5 pontos sobre automedicação

Vera Gomes

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Quem nunca tomou um medicamento sem prescrição médicas por causa de uma dor de cabeça ou febre? Ou pediu opinião (ou recomendou) a um amigo sobre qual medicamento tomar em determinadas ocasiões? Quem nunca foi a grupo de facebook pedir opinião sobre que medicamento tomar para uma dor que tem? Se responderam "nunca" a uma destas questões, entao pode atirar a primeira pedra!

 

A automedicação, muitas vezes vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, pode trazer consequências mais graves do que se imagina. E é disso que este post vai falar. Sentem-se confortavelmente, que este post é um bocadinho mais longo que o habitual. 

 

 

Existe muito a situação de um vizinho (ou alguém num fórum na internet) recomendar um medicamento para aliviar uma dor de barriga ou numa articulação ou umas borbulhas na pele que lhe fez bem após uma consulta com médico. Mas nestes casos o que é bom para uma pessoa não significa que vá ser bom para a outra. E o que foi bom para nós numa altura não quer dizer que seja o mais adequado noutra, mesmo que achemos que os sintomas são parecidos! A prescrição de medicamentos tem em conta uma série de factores e sintomas. Acreditem: quer queiram quer não todos nós somos únicos. Até no momento de passar uma receita! Se já é difícil para o próprio médico entender um sintoma e acertar a medicação do paciente, imagine o risco que o doente corre se começar a se medicar por conta própria...

 

É certo que a automedicação está a torna-se uma área cada vez mais importante na área da saúde. Dá aos pacientes uma maior independência na tomada de decisões com doenças menores, promovendo assim o empoderamento do paciente. A automedicação também tem vantagens para os sistemas de saúde, pois facilita o melhor uso das habilidades clínicas do doente para, por exemplo, não entupir as urgências com casos de menor gravidade e não urgentes, aumenta o acesso a medicamentos e pode contribuir para reduzir os custos com medicamentos prescritos associados a programas de saúde financiados por dinheiros públicos. Mas é importante que se saiba o que está a fazer. Por exemplo, pedir que o médico o acompanhe recomende que medicação SOS tomar, por exemplo em caso de febre ou de um ou outro sintomas que tenham com maior regularidade, é sempre uma boa opção. 

 

Bonito, não é? Pois. Não fossem alguns pormenores importantes. Primeiro o nível de literacia em saúde em Portugal, em que 3 em cada 4 portugueses tem dificuldade em perceber informações de saúde. E por outro lado, e ainda mais grave, a automedicação está associada a riscos que podem ir até à morte do doente. Ficam aqui 5 razões para pensarem duas vezes antes de terem a tentação de tentar um medicamento sem acompanhamento médico :

 

1) Agravamento de doença

O uso de medicamentos por conta própria pode causar uma melhoria falsa nos sintomas (é o caso por exemplo de toma de anti-diarreicos, tipo Imodium, nas DII). Apesar de aliviar os problemas imediatos, o medicamento pode apenas mascarar a doença, causando um agravamento do quadro clinico e dificultando um diagnóstico por parte dos profissionais da área.

A combinação de medicamentos também é um grave problema. Muitas pessoas não sabem que um remédio pode anular o efeito de outro e acabam fazendo combinações inadequadas que podem ocasionar problemas cada vez maiores.

O uso indiscriminado de antibióticos, por exemplo, pode acarretar no desenvolvimento de resistência por parte dos patógenos, o que aumenta o risco de ineficácia do tratamento em infecções futuras.


2) Mau funcionamento de órgãos, como os rins e o fígado

Medicação quando administrada indiscriminadamente, pode fazer bastante mal, e por exemplo provocar contracção dos vasos, retenção de sódio e água, aumentar a pressão arterial, e colocar em risco o coração e os rins. Pode ainda ter uma acção lesiva no fígado, provocar gastrites e lesões intestinais, tornando o indivíduo passível de desenvolver úlceras no aparelho digestivo. Sem falar de possiveis efeitos secundários irreversíveis.

 

3) Reacção alérgica

A falta de conhecimento a respeito de um medicamento pode também levar ao uso de substâncias que causam alergia. Algumas reacções alérgicas podem ser graves e desencadear até mesmo a morte.


4) Intoxicação medicamentosa

Quanto maior for o número de medicamentos ingeridos, será igualmente maior a probabilidade de reacções adversas. O uso de doses inadequadas pode resultar tanto em ineficácia quanto em overdose de fármacos, essa última representando grave risco à saúde.

A associação de medicamentos pode provocar interacção entre eles reduzindo ou aumentando suas respectivas acções, o que se chama de toxicidade. E isto é válido também, por exemplo, para suplementos de vitaminas que se está a ingerir, ou alguma substância fitoterápica. Ou aquele que toda a gente gosta de recomendar para gases e cólicas: carvão vegetal, que reduz ou anula por completo medicação tomada por via oral. Se estiverem a tomar a pílula e engravidarem porque andaram a tomar carvão vegetal, não estranhem...

E lembrem-se que só porque "é natural não faz mal" é absolutamente errado e pode na verdade ter interacção com medicação que tomem, aumentando ou anulando totalmente o seu efeito. A Universidade de Coimbra mantém uma base de dados de interacções observadas entre plantas e medicamentos. 


5) Morte do paciente, em casos mais graves.

 

 

Quando têm uma Doença Inflamatória do Intestino, em que certos tipos de medicação só devem ser feitos (mesmo) com acompanhamento médico. Ninguém substitiui a opinião do médico que vos segue regularmanente e que conhece o vosso quadro clinico.  

 

A vida humana é importante e deve vivê-la de uma forma plena, e sempre que necessário, consultando o seu médico! Acima de tudo e todos: é a pessoa mais indicada para o ajudar nos seus problemas de saúde. Evite a automedicação!

 

 

 

 

 

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