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Diagnóstico feito: os 5 estapas da mudança

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Quando recebemos um diagnóstico de uma Doença Inflamatória do Intestino, seja ela Crohn, Colite Ulcerosa ou qualquer uma das outras doenças deste grupo, é um sentimento agridoce. É doce porque finalmente temos um nome, uma etiqueta para o que está a acontecer connosco; é amargo porque descobrimos o preço que vem com essa etiqueta.

Ao longo do tempo, conforme vamos descobrindo o real preço, a nossa atitude vai mudando. E é sobre essa mudança que vos falarei hoje, com base no modelo Kubler-Ross, adaptado a nós cagões -mor. 

 

 

1) Negação

Quando alguém nos dá a noticia e nos explica o que está em causa, entramos em negação. Tudo parece-nos tão surreal que nem queremos acreditar que está a acontecer connosco. É aquela fase em que alguns sentem uma espécie de desligamento do corpo e que ficamos assim meios abananados com o que está a acontecer e esperamos que alguém nos acorde a qualquer momento ou que nos dias que tudo não passa de uma brincadeira de mau gosto. 

É aquela fase em que dizemos a nós próprios que tudo está bem. Que o médico está a exagerar e queremos procurar uma segunda opinião porque claramente não pode ser verdade. Somos pessoas normais, felizes, se calhar até fazemos desporto e temos hábitos de vida saudável. Não faz sentido nenhum este tipo de diagnóstico. Tomar para medicação para a vida toda? Era o que me faltava! Ainda sou tão nova/o para isto! Impossível!

 

2) Raiva

Como é possível que isto tenha acontecido comigo? Que mal fiz eu para merecer isto? Se Deus existe e é bom, porque raio me dá uma doenças destas?

É a fase que o sarcasmo toma conta de nós e andamos irritadiços com tudo. Gritamos com pessoas, chateamo-nos por tudo e por nada, vivemos com um sentimento de revolta dentro de nós com tudo o que está a acontecer e as implicações que tem! É dificil nesta fase sentirmos empatia com os outros e vice-versa. Normalmente não somos as melhores pessoas do mundo para alguém estar perto de nós. 

 

3) Negociação

Caracteriza-se por comportamento de troca e tentativa de persuasão, com a intenção de adiar a mudança. Esta fase de negociação é uma tentativa de adiamento onde está implícita uma promessa ou um acordo. A maioria destes acordos são feitos com Deus, em troca de mais algum tempo de vida. É também nesta fase em que a maioria dos doentes tenta ganhar algum sentimento de controlo e por isso está disposto a tentar tudo e mais alguma coisa que lhe dê essa sensação de controlo. Essa tentativa de controlo, pode passar por uma mudaça de estilo de vida, por recorrer a pseudoterapias, ou a dietas que viu algures que são benéficas para o Crohn ou a Colite Ulcerosa. 

 

4) Depressão

Já não se consegue continuar a negar a doença, devido ao agravamento dos sintomas (a médio prazo, o efeito placebo das novas dietas ou das pseudoterapias desaparece), mas também vai-se ficando mais fraco e magro, há uma sensação de grande perda. O que nos leva à quinta etapa: depressão. 

 

5) Aceitação 

Por último, chegamos à fase da Aceitação onde depois de já termos oscilado as nossas emoções, começamos a racionalizar e entender a mudança como ela é e tentamos-nos adaptar a ela. Se é fácil aqui chegar? Jamais! É um processo pelo qual passamos até chegarmos aqui e sinceramente, é um processo necessário. Quando finalmente aceitamos a doença, ficamos de certa forma de bem com a vida. Adaptamo-nos com sucesso para conseguirmor ter uma vida o mais normal possível, aceitamos que faz parte do nosso negócio (entenda-se manter a doença controlada para ter VIDA) visitas regulares ao hospital e seguir a medicação tal como o médico nos prescreveu. Aceitação não é resignação! Aceitação é usarmos o nosso lado racional e inteligente para conseguirmos algo que queremos muito: VIVER!

 

 

 

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