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Das revoluções e o meu sorriso de orelha a orelha

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“Sabeno dizia que as revoluções deviam ser feitas não por aqueles que têm tudo a perder, mas por aqueles que não têm nada a ganhar”

 

Durante as minhas férias, li esta frase no livro do Afonso Cruz que finalmente consegui começar a ler. E sorri. Assim de orelha a orelha!

O meu médico em Bruxelas chama-me a mãe da revolução das DII em Portugal por todas as coisas que tenho feito, sobretudo neste último ano. Com digo no livro, eu e ele temos uma espécie de acordo: ele mantém o meu corpo funcional; eu mudo o mundo de muita gente.

Desde que a petição foi lançada no início do ano, já tive pessoas que insinuaram muitas coisas: que eu quero é fama; que eu quero é dinheiro; que eu quero é protagonismo, bla bla bla. Confesso que até me cheguei a chatear e ser de

alguma forma indelicada porque acho ser uma injustiça e uma estupidez acusarem-me de merdas que nem faz qualquer sentido. Primeiro porque só dou a cara quando tem que ser (e se tiver que escolher entre algo ser feito ou não); segundo, porque eu vivo e viverei em Bruxelas, onde sou seguida num sistema e por um médico bastante bons; terceiro, porque trabalho fora de Portugal, numa área muito competitiva, tenho uma reputação profissional a manter, e profissionalmente estou vinculada a obrigações de ética que me obrigam a  pedir autorização para fazer estas coisas no meu tempo livro e me impedem de receber qualquer pagamento pela “actividade extra”.

E por fim, porque não tenho nada a ganhar: faço questão de pagar tudo o que seja viagens, hotéis, etc por causa das DII do meu bolso; porque já tive situações de um futuro empregador me dizer que não me contrataria por causa da minha doença e porque fazer piscinas para ir a Portugal, sai-me do corpo e do tempo que tenho para a minha família.

Estou certa que irão existir mais situações e ocasiões em que serei mais uma vez acusada, insultada, ou tema de conversa depreciativa por causa das minhas acções. Mas sabem, se há coisa que tenho orgulho é de me deitar à noite de consciência tranquila e saber que fiz tudo o que estava ao meu alcance para tornar o mundo um lugar melhor. Saber que não tenho nada a provar a ninguém, e que sigo fiel aos valores e princípios que defendo.

 

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