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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

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17 de Maio, 2020

Como venci a ansiedade de ter uma casa de banho quando saio de casa?

Vera Gomes

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É o segundo ano consecutivo que tenho um ninho de uns passarinhos amorosos no meu jardim. Vejo-os diariamente, enquanto tomo o pequeno almoço, a entrar e sair da casa de passáros que colocamos no jardim. Até que um dia, os filhotes resolvem sair de casa e desaparecem até ao ano seguinte (esperamos nós).

 

Este ano resolvi fotografá-los (ou tentar pelo menos). E lembrei-me de quando comecei a pensar em fotografia mais à séria (apesar de continuar a ser uma péssima fotografa).

 

2016 foi um ano muito negro para mim. Uma crise dantesca da Colite Ulcerosa, mudou a minha vida de pernas para o ar, ao ponto de ter decidio usar fraldas para conseguir sair de casa sem me borrar em público. Foi uma escolha dificil, mas sinceramente, voltaria a tomá-la se voltar a estar na mesma situação.

 

O problema que se colocou depois era simples: não queria usar fraldas para sempre, estava a ser devidamente tratada, estava a melhorar lentamente. Mas... como vencer a ansiedade que se gerava de cada vez que saía de casa? Como saber se teria uma casa de banho disponível? Se conseguiria chegar a tempo? Tinha dias que até parecia que era essa mesma ansiedade que me fazia precisar de uma casa de banho. 

 

Nos entrantos... foi o meu aniversário. E o Mais Que Tudo, de conversas que tinhamos tido meses antes sobre fotografia, resolveu ar um empurrão à minha paixão por fotografia, e ofereceu-me uma máquina fotográfica digna desse nome. "Agora tens que praticar", foi o que me disse.

 

E eu assim fiz. Primeiro em casa, pela janela, depois na rua, depois num parque ao pé de casa (são raros os parques com wc em Bruxelas) e a pouco e pouco, já nem pensava em casas de banho porque a minha mente estava distraida a tentar encontrar as melhores configurações da máquina fotográfica, o melhor ângulo para a fotografia, a melhor perspectiva.

 

Quando decidi fotografar os passáros no jardim, percebi mais uma fez, que o processo de nos abstrairmos de alguma coisa, passa muitas vezes por termos algo que, de certa forma, nos entusiasme. Que dê ao nosso cerebro algo que o entusiasme mais do que a sensação de pânico que ele gosta de criar em torno das casas de banho. Note-se: não é que seja um pânico infundado. Bem pelo contrário! Trata-se de encontrar um ponto de equilibrio em que o pânico, o medo, a ansiedade não tome conta de nós, do nosso corpo e do nosso espírito.

 

Comigo foi tentar fotografar (que como podem ver pelas fotos que vou publicando... muito ainda para aprender). Convosco certamente será outra coisa qualquer. O importante é que cada um de nós encontre A Coisa que funciona connosco.

 

Quanto aos passarinhos, este fim de semana voaram do ninho e ontem acordei com 4 passarinhos bebés a dar os seus primeiros voos no terraço. Quer dizer... 3. Porque um era ainda demasiado pequeno para essas aventuras, e como os papás não continuaram a alimentá-lo, acabamos por o levar a refugio onde cuidarão dele até ele estar forte o suficiente para voar. Deixo-vos as fotos de ontem.

 

 

E o que levamos ao Refúgio, que nos disseram estar a receber cerca de 70 animais por dia!!!

 

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