Como aceitar uma doença para a vida?

É algo que me perguntam com frequência. É algo que pergunto a mim mesma todos os dias. Sinceramente… não sei. Temos mesmo que aceitar? E o que significa aceitar?
Para mim, não aceito. Não tenho que aceitar. Nem quero aceitar. Adapto-me, sim. Mas não aceito que aos 27 anos, no auge da juventude e já com uma carreira profissional promissora, tenha recebido a notícia que tenho uma doença para a vida. Não aceito que o meu corpo passe por tantas transformações num curto espaço de tempo, nem aceito as implicações que tem na minha vida e na vida dos que me rodeiam.
Adapto-me. Isso sim. Crio estratégias e estratagemas para ir remando o barco sem saber se o porto à vista será bom porto. Mas não me peçam mais do que isso porque sinceramente, não sou obrigada. São as vossas expectativas, não as minhas.
E como aceitar? “Devo dizer: obrigada! Era mesmo isto que tinha pedido ao Pai Natal!”; ou “ Estou tão feliz que agora tenho uma doença para a vida! #Gratidão #Namastê”. Porque não dizer: “Fod@-se! Put@ que pariu a minha sorte!” e depois apanhar os cacos, arregaçar as mangas e controlar aquilo que eu posso para ter uma vida o mais normal possível. Será que temos mesmo que ser todos patetas alegres com as tragédias da vida? Será mesmo que temos que ser sempre positivos e cheios de força e energia e lutadores até ao fim das nossas vidas?
Sinceramente: não! Ninguém é de ferro para o resto da vida. Há dias que nos vamos abaixo das canetas e que choramos e praguejamos. E muito honestamente, pelo menos comigo é assim, dispenso que me venham com falinhas mansas do tipo: “é só uma fase”; “tens que ser forte”; “tens que pensar positivo”. Confesso que nesses momentos, aquele sorriso amarelo que mostro esconde um grito interior de frustração e raiva. A vida de pantanas e parece que ter um dia na mó de baixo, esgotada e sem forças, é um luxo asiático que não posso ter.
Portanto, aos iluminados da praça, expliquem-me porque raio tenho eu que aceitar uma doença para o resto da vida? Porque eu tenho uma há quase 12 anos e confesso, ainda não aceitei.
