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As 5 lições que aprendi na semana passada numa ida ao Hospital

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Ao longo da vida vamos tendo situações em qu a palavra "vergonha" ou "embaraço" não sequer compatíveis com toda a experiência. Há um mês foi a experiència da cabra fofinha da neurologista. Na semana passada... bem... a semana passada atingiu um outor nível. 

 

Deixem-me dar-vos algum contexto: durante o fim de semana apareceram-me umas manchas na pele na zona do baixo ventre. Ali numa zona que o bikini ainda tapa, mas acima da pombinha. Primeiro dia que vês aquilo estás a sair do banho e achas que é por ser demasiado cedo e estares ainda a dormir. Segundo dia olhas e pensas "Foda-

se! Que merda é esta?!" Tiras uma foto (just in case) que guardas religiosamente no teu telémovel e esperas que nunca ninguém se lembre de hackear a cloud e tornar a foto pública. 

 

1ª Lição

Mandas um whatsapp ao médico que te segue. Explicas que não tiveste relações sexuais, não usaste roupa interior nova ou de material duvidoso, não fizeste depilação, não mudaste detergente da roupa. O que é que ele te aconselha? Bom, se fazes isso a resposta vai ser: "manda-me fotos". oi? De repente estás assim no limbo, numa espécie de sensação esquisita de estares a mandares fotos da tua púbis a um homem que nao é o teu companheiro, apesar de já saberes que seria muito provavelmente o que iria acontecer. Mandas a foto. Ligas ao teu companheiro a informar a mensagem que acabaste de enviar a outro homem. Ouves o silêncio do outro lado do telefone. Suspiras, riem juntos e pões o teu melhor para receber o fantástico companheiro quando ele chegar a casa. Sim, sorriso, porque num momento destes é melhor nem arriscar um possível contágio. Sabe-se lá o que tens....

 

2ª Lição

Se depois da troca de mensagens com o médico, vais ter que o ver no dia seguinte, escolhe sabiamente a roupa que vestes. Macacões não é de todo uma boa ideia, porque cada vez que tens que mostrar o que se passa na pele, e tendo em conta na zona que é, tens que te despir. Com um macacão, acabas por mostrar tudo. Incluindo o que não é necessário, tendo em conta que as mamas não têm nenhum problema (ao menos isso!).

 

3ª Lição

Um gastro não é dermatologista. por isso vai levar-te ao departamento de dermatologia do hospital para seres vista por uma colega desta especialidade. Mais uma vez tens que te despir porque foste de macacão para o hospital. A senhora vai examinar as partes baixas para excluir outras coisas oriundas da incubadora de bactérias que é a vagina de uma mulher. Isso implica abrires as perninhas. A senhora vai coçar o queixo e dizer: "gostava de ter uma opinião de uma colega. Importa-se?". E tu ali, meia despida, de passarinha a apanhar ar, respondes um "não" seco e fraco tal qual a fragilidade com que te sentes. Eis que vem outra desconhecida, olha, toca, suspira. E tu ali: meia despida de pombinha a apanhar ar. Por isso, tens que perder embraço e vergonha, porque este é o momento em que percebes que a tua púbisvirou estrela e é mais conhecida do que a tua cara. Metes um sorriso amarelo e rezas por um dianóstico fofinho!

 

4ª Lição

De seguida vais à consulta que tinhas marcado de reumatologia. Pelo caminho pensas que és uma heroína que em menos de 45m já mostraste a tua passareca a três médicos diferentes. A reumatologista pergunta por sintomas extra-intestinais da Colite Ulcerosa que andes a te. mencionas a intolerância às lentes de contacto e os olhos esquisitos desde há uns meses; mencionas o problema de pele na cara que tiveste em Março, e mencionas o problema de pele que acabaste de descobrir. Alguém adivinha o que ela responde? Yeap: isso mesmo. "posso ver?" E mais uma vez, despes o macacão para mostrar a púbis. Conclusão: a tua púbis é uma estrela e tens que aprender a lidar com isso. 

 

5ª Lição

Com quadros clinicos complexos, nem sempre é fácil de conseguir um diagnóstico exacto. A malta vai lá por exclusao de partes e espera o melhor. Por isso, se é uma simples micose por estares imunoderpimida, ou psoríase genital cortesia da medicação que fazes, não importa muito para o caso. O importante é o que fazer para minimizar a coisa e garantir que continuas com o corpinho sob controlo e funcional. No dia em que aceitares que o mais importante não é ter um nome, é teres a tua vida a rolar o mais normal possível (o normal pode ser muito discutível) dá-te por feliz, metes um sorriso de orelha a orelha e vais à luta, continuas com a tua rotina, os teus projectos, os teus pequenos momentos que te fazem feliz. Afinal de conta, a felicidade não está nas pequenas coisas?

 

Às vezes pergunto-me se sou só eu que em cada ia ao hospital tira conclusões e lições para a vida e faz manuais de instruções mentais a cada visita hospitar ou médica. Desse lado, qual a coisa mais importante e que guardam para a vida de uma das vossas idas ao hospital?

 

 

 

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