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7 questões sobre Gravidez e Doença Inflamatória do Intestino

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Confesso que nunca senti o meu relógio biológico a dar horas para ser mãe. Mas o dia em que o médico me disse "nem pensar engravidar" senti-me revoltada. Senti-me revoltada porque deixei de ter escolha e algo foi-me imposto. Quem nunca se sentiu assim?

 

Mas são as doenças Inflamatórias do Intestino (DII) impeditivas de uma gravidez? Na verdade não. Convém ser uma gravidez planeada, de preferência em período de remissão (que não era de todo o meu caso). Contudo, por vezes a malta é apanhada de surpresa: calma! Não é caso para desatarem a gritar tipo baratas tontas (a não ser que seja de felicidade). Mas é caso para marcarem consulta e falarem com o vosso gastro, o obstreta e conversarem sobre o que aí virá. 

 

Tentarei aqui responder às perguntas mais usuais sobre DII e gradivez:

 

1) Tenho que deixar a medicação?

 

Manter a medicação durante a gestação ( tanto mesalazina como azatioprina e biológicos) está associado a um mínimo risco de parto prematuro, sem risco de malformações fetais. Por outro lado, a retirada da medicação está associada a um grande risco de activação da doença, com morte fetal e muitas vezes morte da mãe também. O pequeno risco de manter a medicação é superado em muito pelo benefício de mantê-la. Quanto a suspender no 6º mês, a única classe de medicamentos onde isso é preconizado são os biológicos. Os restantes são mantidos até ao final da gravidez.

 

2) Porque se pára os biológicos no 6º mês gravidez?

Porque se a mãe usa biológico até o final da gestação, o recém nascido só deve ser vacinado com agentes vivos ( BCG, riotavirus ), após 6 meses do parto. Isto porque pode haver um pouco do biológico circulando ainda no bebé após o parto. Mas se a  grávida suspende o biológico no 6º mês, é seguro vacinar nos momentos indicados e conforme consta no Plano Nacional de Vacinação e demais recomendações médicas.

Se no 6º mês da gestação, a doença não estiver bem controlada, o biológico deve ser mantido até o final e, nestes casos, a vacinação do bebé adiada por 6 meses.

 

3) Qual o tipo de parto mais indicado?

O parto pode ser por via vaginal, se não houver comprometimento da região perianal, como por exemplo, fístulas perianais. Se houver comprometimento perianal, então o parto será por cesariana.

 

4) E a amamentação? Como será?

Quanto à amamentação, não há nenhum risco de amamentar quando se toma a medicação para a Doença Inflamatória do Intestino, seja ela Crohn ou Colite Ulcerosa.

Por medida de segurança apenas, convém dar de amamentar pelo menos 4 horas após a toma da azatioprina. Para as mamadas que tenham que ocorrer antes desse período de 4 horas, a mãe pode ir bombear o leite e ir armazenando em recipientes apropriados, congelar, e depois descongelar em banho maria (não em microondas) e dar ao bebé quando for necessário.

Para quem usa mesalazina, não há risco algum, porque esta medicação não passa no leite. Quanto aos biológicos, a amamentação é considerada segura, pois passam em quantidades quase indetectáveis no leite materno. Estas são as orientações aceites para o caso de gestação e amamentação na mãe com DII.

 

6) Então toda a medicação é segura?

Não! O metotrexato é terminantemente proibido na gestação, e que deve ser substituido meses antes da gestação, para a mãe que planeia engravidar, e também, caso seja o pai a utilizar este medicamento, deve suspender o metotrexato meses antes. É recomendado às mulheres com DII e que tomam metotrexato para terem cuidados acrescidos para não engravidar involuntáriamente, porque este medicamento é comprovadamente associado a malformações fetais.

 

7) E o meu bebé poderá ter Crohn ou Colite?

Sim, é possivel que a criança filha de um pai com uma Doença Inflamatória do Intestino (DII) a venha a ter. Se um dos pais tem Crohn ou Colite Ulcerosa, a probabilidade da criança desenvolver a condição é de aproximadamente entre 2 a 9%. Se ambos pais têm uma Doença Inflamatória do Intestino (DII), as probabilidades podem aumentar até 36%. 

 

 

De qualquer forma já sabem: se pensam em engravidar, falem com o vosso médico. Caso tenham engravidado "por acidente", falem com o vosso médico. Como a Dr.ª Joana Torres bem diz (ver vídeo abaixo) é importante que gastro e obstreta trabalhem em conjunto para uma gravidez feliz e sem sobressaltos!

 

 

P.S.: O Escadinhas é finalista no Sapos do Ano na categoria de Saúde. Para votarem, basta ir aqui, inserirem o vosso email e seleccionar 'escadinhas.blogs.sapo.pt". Podem votar com mais de que um email e não se esqueçam de partilharem entre os vossos contactos para que eles também votem. Sem o vosso voto, as DII continuarão a ser desconhecidas por muitos!

 

 

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