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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

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13 de Fevereiro, 2015

50 sombras do abuso

Vera Gomes

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Ontem na estreia do filme em Londres

 

Confesso que não resisti e comecei a ler ontem as 50 Sombras de Grey. Quis formar a minha própria opinião lendo o livro. Ainda não acabei, mas tenho já a minha opinião formada. Mr. Grey não é um cavalheiro. Mr. Grey é um obsessivo compulsivo, controlador e abusivo. Ainda nem sequer tinham trocado um beijo e eu já estava a pensar que não me envolveria com um tipo como o Mr. Grey que faz coisas fofinhas e "românticas" como localizar via telémovel, ameaçar e oferecer presentes para assegurar que consegue contactar a Anastacia a qualquer momento; que zanga-se porque ela não responde aos telefonemas, nem às mensagens, nem aos emails. Há uns bons meses atrás, Paulo Farinha escreveu uma crónica excelente que recomendo vivamente a leitura aqui (e aqui na versão a tua namorada é manipuladora - que estas coisas dos abusos não olha a sexo).

 

Consigo perceber perfeitamente porque motivo o livro se tornou num sucesso de vendas. Acreditem que não foi pelos dotes literários da autora. A paixão que Anastacia sente, as dúvidas existenciais que a rapariga sente no momento em que conhece o Mr. Grey e nos dias seguintes.. bom, levante-se a mulher que já nao passou pelo mesmo! Levante-se quem não deseja ou desejou conhecer uma pessoa que faça sentir uma paixão arrebatadora! Sim, nós mulheres queremos isso! (E os homens também - nao me venham com histórias!) Queremos o cavalheiro, giro e podre de bom, que faz as outras roerem-se de inveja porque ele é nosso e não delas, que só tem olhos para nós e que nos trata como princesas. Contudo, o Mr. Grey do livro, a meu ver, tem mais de psicótico do que cavalheiro.

 

O livro ficou igualmente conhecido por, aquando da sua publicação, a taxa de natalidade no Reino Unido ter aumentado substancialmente. Mas também acho que a violência doméstica não denunciada aumentou provavelmente na mesma proporção. Acredito que muitas mulheres e que vivem relações abusivas, depois de lerem o livro acham que encontraram o seu Mr. Grey. Mas na realidade, encontraram o Mr. Grey abusador, que lhes bate e de seguida faz amor com elas, dizendo que é tudo pelo bem delas e que nutre por elas o mais profundo sentimento de amor alguma vez imaginado. E a grande diferença, é que na vida real, estas histórias nem sempre acabam com finais felizes (basta ver as estatísticas das vitimas/ mortes causadas por violência doméstica nos últimos anos).

 

E para quem vai começar a desancar-me e dizer que é o melhor livro que leram nos últimos tempos, tenho a dizer o seguinte. Tenho a trilogia. Não sei se a lerei todas, mas irei terminar o primeiro livro. Pressinto que não irei mudar a minha opinião sobre o mesmo (pelo contrário). E digo desde já que provavelmente também irei ver o filme (já agora quero ver se as criticas ao filme se justificam e poruqe adoro pipocas no cinema).

 

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