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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

3 conselhos aos coachs de sofá desta vida

Os loucos ás vezes se curam.jpg

 

Num post que saiu no inicio da semana falei sobre as diferentes fases pelas quais passamos depois de recebermos o diagnóstico de Crohn ou Colite Ulcerosa, etc. Não é fácil. De todo! Mas hoje quero focar-me sobre aquele sentimento de impotência que sentimos amiúde, sobretudo quando o nosso corpo decide fechar para obras e chegamos à exaustão física e mental. 

 

Todos sabemos que há fases em que as pernas fraquejam  nos vamos a baixo. Dias, semanas, meses, anos a lidar diriamente com dor, idas ao hospital, agulhas, comprimidos, dores, idas ao wc, fadiga, dores, hospital, médicos, medicamentos, dores, fadiga. Cansados? É que nós também temos momentos assim: cansados só porque a nossa existência não é cor de rosa. Contudo, todos dão numa de coach de sofá, psicologo de vão de escadas e gostam de nos "animar" ou dar-nos lições para a vida. Deixo-vos o TOP 3. Vejam se aprendem umas coisas, por favor: 

 

 

1) "ai que eu conheço uma pessoa com Colite/ Crohn (usem o que quiserem) e faz uma vida perfeitamente normal". 

A única coisa que me apraz dizer, embora mentalmente esteja a gritar um sonoro "vai-te foder!", é: "que bom para essa pessoa! Eu e muitos outros doentes não podemos dizer o mesmo". Não há duas pessoas com quadros clinicos de um Crohn ou Colite Ulcerosa iguais. São doenças extremamente personalizadas o que só aumenta a dificuldade em conseguir uma combinação de tratamento que resulte. E mesmo na mesma pessoa varia ao longo do tempo. Hoje, quem me conhece diz que eu faço uma vida perfeitamente normal. Há três anos diziam que eu era um cadáver com pernas. Nós não queremos comparações com outras pessoas. Nós queremos compreensão e respeito. Ou gostariam que eu vos disesse: "conheço uma pessoa que usa esse mesmo baton. Fica muito melhor a ela do que a ti!"

 

2) "Deixa lá! Isso vai melhorar, vais ver! Anima-te! Não podes ficar assim!"

Posso. Ai posso pois passar uma semana com a cabeça enfiada na areia a lamber feridas e sem querer falar com o mundo. Até digo mais: tenho todo o direito a fazê-lo! Com tudo o que se passa com o corpinho, os desaires que se vai tendo, o cansaço de tanto lutar e tentar manter uma vida pessoa, profissional, social e tudo e mais um par de botas activo: TENHO TODO O DIREITO DE FICAR ANTI-SOCIAL! E de ficar triste, e de chorar, e de gritar, e mandar umas caralhadas. Ninguém, absolutamente ninguém, consegue ficar feliz, contente e aos pulos de alegria 24/7. Adicionem à equação a merda de uma doença com periodos altamente incapacitantes e percebem que se calhar aquilo que deveriam dizer é: "eu estou aqui para te segurar a mão. Em que te posso ajudar? Como posso fazer sentir-te melhor?"

 

3) "Estás sempre a fazer piadas e a sorrir! Não levas as coisas a sério!"

Primeiro, voltem a ler o número 2: ninguém está tipo pateta alegre 24/7. Depois: ninguém chora 24/7. Há duas formas de lidar com toda a avalanche que temos que gerir: ou entramos em depressão profunda, agravamos o nosso quadro clinico  e continuamos na mó de baixo. Ou, encontramos uma forma de tornar a avalanche mais leve para conseguirmos continuar na luta. A minha forma é rir. Rir de mim próxima, ser sarcástica e irónica com as merdas que vão acontecendo. Torna a minha pedra mais leve para empurrar (novamente) montanha acima (se não sabem o que quero dizer, procurem O mito de Sisifo). Este é o nosso destino: carregar uma pedra (a DII) montanha acima, para depois ela rolar até à base e nós voltarmos a empurrá-la até ao cume (a remissão). E juro: a rir custa muito menos! E se algum dia deixar de me rir das merdas que me acontecem, mesmo que ria com as lágrimas a rolar pela cara abaixo: internem-me! Estarei às portas da morte!