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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

15 de Abril, 2020

O tempo perguntou ao tempo: o que é que o tempo faz?

Vera Gomes

Design sem nome.jpg

 

Não tenho escrito no blog. Por vezes penso que deveria escrever algo, mas não creio que faça sentido escrever algo só porque sim. Verdade é que têm sido semanas longas, com uma nova realidade a que me habituar, toda uma nova dinâmica para entranhar-se.

 

Amanhã faz 5 semanas que estou em casa. Cinco semanas. Já tive semanas que passaram a voar, outras que pareceram anos. Dias triste, dias depressiva, dias motivada e alegre. Uma espécie de carrossel emocional.

 

Vejo gente empenhada em motivar outros a fazerem tudo e um par de botas. Sinceramente, não quero aprender uma língua nova, nem aprender a fazer macramé ou em perder 5 quilos durante a quarentena. Tenho trabalhado a partir de casa em modo emergência. O Mais Que Tudo também. Trabalhamos em modo não stop desde que acordamos até ao fim da tarde. Fazer jantar, limpar a casa, tratar do cão e a seguir ao jantar o que queremos é sopas e descanso. E há dias em que não apetece cozinhar, nem limpar e está-se bem. Porque raio temos que estar constantemente em pressão que temos que fazer coisas?

 

Limitei o meu acesso às noticias propositadamente. A quantidade de informação e desinformação, contradições e suposições e pseudo peritos em pandemias estavam a rebentar com o meu neurónio. A minha qualidade de sono melhorou imenso desde que fiz isso! Já chega ter que lidar com toda a incerteza do quando sairemos de casa; como sairemos; quando poderei ver a minha familia em Portugal novamente. Ter que lidar com arautos da desgraça e curas milagrosas e pessoas sem escrupulos a tentar ganhar dinheiro com o desespero dos outros, foi o meu limite.

 

A minha casa sempre foi um porto seguro e farei tudo para que assim continue a ser. Portanto, menos noticias, menos redes sociais. Saúde mental agradece. E se calhar foi também por isso que me afastei da blogosfera. Porque há muitas emoções para gerir, mais do que é normal; muitas incertezas. E só isso, já é um trabalho a tempo inteiro. Por isso, não: não irei aprender uma lingua nova, nem treinar todos os dias, nem aprender a fazer macramé. Irei continuar a gerir as minhas emoções, irei continuar a trabalhar e a ter momentos meus de calma e tranquilidade sempre que queira e precise.

 

Depois da quarentena, certamente haverá vida. Talvez uma vida diferente daquela que conhecemos agora, mas ainda assim: vida. E nessa vida, haverá tempo para tudo o resto tal como houve na vida pré-covid.