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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

Uma semana depois: e agora?

 

Faz hoje uma semana que os atentados em Bruxelas tiveram lugar. Apesar da cidade estar a recuperar há ainda  um longo caminho a percorrer. A maioria das pessoas vivem a olhar por cima do ombro e ainda ontem mais do que uma colega no escritório me diziam que gostariam de voltar ao país natal.

 

Os transportes continuam a funcionar a meio gás, com o metro apenas a circular das 7 às 19h e apenas serve algumas estações. A minha rotina para chegar ao escritório mudou por causa disto. O metro circula vazio, os autocarros cheios. Há um clima de tensão no ar: por um lado não se quer ceder ao terror que os terroristas querem espalhar, por outro lado tenta-se fazer a vida o mais normal possível.

 

Ao longo desta última semana perguntaram-me várias vezes se eu não tinha saudades da vidinha pacata de Lisboa, se não queria voltar para Portugal, se ainda quero continuar a fazer a minha vida em Bruxelas. Bom... o que aconteceu em Bruxelas pode acontecer em qualquer lado e infelizmente Bruxelas não é caso único. No Domingo passado morreram muito mais pessoas num atentado no Paquistão. Bruxelas sentimos mais porque nos é mais próximo e torna a ameaça mais real. Aconteceu mesmo aqui ao lado (literalmente) e fez-nos perceber que vivemos numa falsa sensação de segurança. Não é por isso que irei mudar a minha vida ou que o tenho planeado para ela. Gosto muito do que faço por cá, apesar das suas particularidades e da insegurança, Bruxelas oferece boas condições de vida, eventos culturais de todo o tipo, acesso às grandes capitais da Europa. O tempo continua a ser uma caca e a ausência de sol/ luz também, não pensem que morro de amores pela cidade. Mas morro de amores pelo trabalho que faço, gosto das pessoas com quem trabalho, gosto da ideia de ter perspectivas de futuro que a pacata Lisboa não me oferece. Por isso, sim, continuarei por Bruxelas. Recuso-me a ceder à política de terror que uns anormais querem espalhar.

Como é possível nunca ter ouvido falar deles?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Descobri os Public Service Broadcast por mero acaso e não foi pela música: foi pelas capas dos álbuns. Por moticos óbvios fiquei perdida de amores: capaz com coisas do Espaço? Com o Sputnik, Lua e astronautas? Tenho que ter!!!! Portanto agora encetei um plano para correr as lojas de vinil em Bruxelas para ver se encontro em formato vinil. Assim posso emoldurar.

 

Ai e tal e a música? A música até nem é má! ;) E esta em especial, Gagarin, até tem astronautas tontos no videoclip : )

 

 

Bruxelas: de volta ao trabalho

 

Hoje foi dia de regressar ao escritório. As férias não duram para sempre se bem que estas foram..digamos... atípicas.

 

Ou porque não conseguiram voltar, ou porque conseguiram partir em férias, certo é que a cidade está a meio gás. O metro estava praticamente deserto por oposição ao autocarro que nem consegui entrar por estar à pinha. Colegas que vêm de carro comentaram também que o trânsito era praticamente nulo. É certo que esta semana as escolas belgas entraram de férias, e quando isso acontece, a circulação fica bastante reduzida. É por isso dificil de dizer até que ponto este "deserto" é um impacto directo dos atentados da semana passada.

 

O que sei dizer é que independentemente do que se passou anteriormente, o primeiro dia de regresso ao trabalho custa para xuxu!

O que aprendi até agora com os atentados de Bruxelas

 

1) Não se está a salvo em lado nenhum. Estas merdas acontecem quando e onde menos esperas.

 

2) O melhor é mandar mensagens por qualquer aplicação que não implique usar rede móvel. Internet foi a safa. Estive sem telefone praticamente o dia todo: não fazia nem recebia chamadas o que não ajudou a acalmar a família que tentava desesperadamente falar comigo. Messenger, Facetime, Whatsapp, Viber foram os melhores amigos.

 

3) O melhor é sempre ter comida não perecível tanto no escritório como em casa. Ficar retido nos edíficios até que seja seguro sair por vezes demora mais do que esperado. Por muito que goste de chocolates, almoço de chocolates não puxa carroça.

 

4) Há sempre idiotas com ideias estúpidas. Há sempre pessoas que conseguem manter a calma. Há sempre alguém disposto a ajudar.

 

5) Por muito que se queira, anda-se na rua a olhar por cima do ombro e de lado para as pessoas com quem nos cruzamos que têm um ar esquisito.

 

6) O som das sirenes e buzinas torna-se tão banal que já nem ligas quando começas a ouvir-las lá ao longe. Ficas no passeio, esperas que passam e segues a tua vida. 

 

7) Têm um plano de crise? Esqueçam: vai ter mais buracos que uma cama de rede. Ou sabem improvisar ou estão tramados. Ah! e estejam preparados para o alterar inúmeras vezes. Por vezes, várias vezes numa única hora.

 

8) O Twitter é o melhor amigo para ires percebendo o que se está a passar. Com o fluxo de informação existente, sabes sempre se há transportes, se podes sair, se deves ficar em casa. Seguir a polícia, o centro de crises, a empresa de transportes, um ou outro jornalista não sensacionalista é sempre obrigatório.

 

9) A gestão de crises da TAP é uma merda. Nunca reagem a tempo e horas, dizem uma coisa na imprensa quando na realidade fazem outra, dão alternativas pouco viáveis. Ah! E quando dizem "coiso e tal podem alterar o voos para outro sem custos adicionais" é tanga. Só acontece se mudares para um lugar dentro da tua tarifa. Se por acaso há lugar num outro avião, que por acaso é na executiva e tu tens um bilhete na económica, mesmo em situações extremas como... um atentado, lixas-te: pedem-te para pagar a diferença (que no meu caso era mais 405€ aos 230 que eu já tinha pago) e é se queres. 

 

10) Irá haver desconhecidos que te irão surpreender só porque sim, irá haver conhecidos que se lembrarão de ti passado uns dias, haverá pessoas que nem se vão lembrar. Os amigos estarão sempre lá para ti, independentemente da sua localização geográfica. Ajudar-te-ão em tudo o que podem, nem que seja ao trocarem mensagens sobre coisas parvas.

 

Como é que eles conseguiram chegar ao centro de Bruxelas?!

Ontem resolvi ficar em casa e não ir ao centro de Buxelas. Excelente decisão. Por volta das 15h estava incrédula agarrada a um directo no Periscope de uma pessoa que estava no centro e ia filmando e relatando o que estava a acontecer: uma data de maluquinhos da extrema direita foram manifestar-se contra o terrorismo, e durante o processo eles próprios foram espalhando o terror. Arvores arrancadas, insultos, agressões. Porquê? Porque acham que é uma forma de se expressar. Claramente não aprenderam nem maneiras nem educação nem saber estar nem o que é respeitar os outros. 

 

Estive uma hora agarrada ao Periscope. Vi polícias a rodos, vi o rasto de semi destruição que os manifestantes deixaram nas ruas do centro onde tinha estado no Sabado à tarde. E estava absolutamente de queixo caído! Segundo os relatos, fotos e vídeos, a praça da Bourse ficou dividida de um lado os manifestantes de extrema direita do outro lado as pessoas que pacificamente já lá estavam a prestar homenagem às vítimas. A tensão era óbviamente mais que muita e a polícia acabou por intervir com canhões de água para dispersar a multidão. 

 

A grande questão que se levanta e que hoje de manhã era debatida nos jornais, é como no minimo 150 manifestantes conseguiram chegar ao centro de Bruxelas. A Marcha contra o Medo tinha sido cancelada pela organização a pedido das autoridades, por motivos de segurança. E de repente, há no minimo 150 caramelos que se juntam numa vila a uns 10m de comboio de Bruxelas (se tanto), metem-se no comboio e "'bor lá para Bruxelas fazer barulho". Ah! E claro, qualquer pessoa pacífica leva "very lights" e cara tapada para uma demonstração pacífica... Pois sim, abelha!

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