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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

11 de Julho, 2008

uhmmmm

Vera Gomes

Que credibilidade terá um gajo nu com uma réplica do chapeu da guarda de Sua Majestade a dar uma entrevista para o Jornal da Noite?

 

Não sei. Mas sei que o anuncio da TMN continua hilariante!

 

 

 

 

09 de Julho, 2008

Elogio ao amor (Miguel Esteves Cardoso - Expresso)

Vera Gomes

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro.
Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito.
Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido.
Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama.
Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".

O amor passou a ser passível de ser combinado.
Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.

Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha.
Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.
Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice,facada, abraços, flores. O amor fechou a loja.
Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor.
É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz.
É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor.
A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.
Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe.
Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma.
É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária.
A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida.
A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.

Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira.
E valê-la também."

07 de Julho, 2008

É longo, mas verdadeiro

Vera Gomes

Uma arma ao alcance de todos.

Miguel Esteves Cardoso

Audaces fortuna juvat. A sorte protege os audazes, lá diziam os romanos - mas esses eram loucos. Para o Mulherengo, a audácia não tem nada a ver com sorte.


Para se ser um bom mulherengo, são necessárias algumas qualidades que não dependem de nós e que não podemos aprender ou fingir. Ser giro é a mais óbvia. As mulheres desmentem, mas mentem. E há outras qualidades, físicas e mentais que, ou se tem, ou não se tem. Destas, por conseguinte, nem vale a pena falar. Felizmente, há armas que todos os mulherengos podem usar. Uma das mais poderosas tem a vantagem de funcionar melhor quando o homem não é muito giro. É tão importante e tem tantas aplicações, que merece um capítulo à parte: é a audácia.


A audácia impressiona sempre as mulheres, por muito desinteressadas que estejam. Faz parte do restritíssimo grupo de características que consideram masculinas e às quais acham graça. Pode ter-se cinco anos de idade e chegar ao pé de uma mulher de 30 e anunciar-lhe - de queixo decisivo - que, mal tenha 16 anos, tenciona casar com ela. E que ela não se preocupe, porque os 11 anos que faltam passarão num instantinho. E muito menos ter medo de que ele mude de opinião, até porque ele prefere as mulheres com 40 anos.


A audácia não é valentia nem lata, porque é tranquila e bem-educada. O homem valente arranja coragem para convidar uma mulher inacessível para jantar, mas é empedernido e está preparado - convenientemente para ela - para a rejeição. O latoso é um pau-para-toda-a¬-obra e um fanfarrão. Produz nas mulheres a impressão desagradável de ir a todas, a ver o que cai, imune às rejeições e mais empenhado no sexo feminino em geral, do que nesta ou naquela representante.


A audácia é outro bicho. Não implica coragem - é apenas a constatação de uma verdade; o cumprimento de um destino. Surpreende não só por ser explícita, mas por ser calmamente transmitida como um facto, uma notícia confirmadíssima: "É só para avisá-la de que a amo e que vou fazer tudo para que um dia me ame também." As mulheres nunca esquecem uma audácia e, lá nos labirínticos arquivos românticos que mantêm - onde coexistem amantes possíveis e proibidos; actuais e vindouros; resolvidos e atravessados; em trânsito ou por definir - abrem uma ficha para aquele gesto. Por muito miserável, curta e longe do índice principal que fique. É um princípio. É um registo. É uma referência que se poderá invocar e sobre a qual toda uma literatura se poderá erguer.


A ideia não é cair no goto ou ficar atravessado, ou sequer despertar a curiosidade: é apenas passar a constar do cômputo daquela mulher. Não há expectativas imediatas, e ganância muito menos. Há, quanto muito, uma ambição distante e pouco provável, como ter os tais seis anos e querer ser campeão do mundo de Fórmula 1. É a verdade do desejo que conta e encanta. Tudo o que for além disso, assustará a pretendida e fará precipitar o próprio mulherengo, a quem não faltarão outras mulheres com as quais se ocupar.
A audácia, para ser eficaz, tem de ser inequívoca. Tem características e regras que não podem ser desobedecidas pelo mulherengo.


A audácia é sempre pública. Um único sussurro de confidencialidade mata-a imediatamente. Aquilo que se diz à pretendida pode e deve ser ouvido por toda a gente. Isto é, sem atenção a quem calha estar presente. Claro que o namorado ou marido da mulher está incluidíssimo. Respeita-se o bicho, mas nunca se lhe pede desculpa.
A audácia funciona precisamente porque não faz nada às escondidas. Não é uma tentativa de intimidade: é um anúncio de uma intenção; um prenúncio de um futuro. O mulherengo audaz, que contrata um avião para escrever um recado amoroso no céu, nunca se escuda com enigmas. Nada faz para proteger as identidades. Não manda escrever "Eu amo-te, Cecília", mas sim "António Costa Rodrigues está apaixonado por Maria Cecília Neves de Sousa e não há nada a fazer". Esse recado jamais teria um número de telefone ou faria um apelo a quem quer que fosse. Porque a audácia não pode ser utilitária. Tem, por força, de ser descabida e de estar isenta de objectivos imediatos. Não procura qualquer diálogo; não anda a ver se despoleta qualquer respostazinha. É uma declaração. É um documento.
Não é preciso ser-se mulherengo para perceber o perigo destas audácias: e se as outras vêem? Deixá-las. São problemas que terão de ser resolvidos mais tarde. Porque é o facto das outras verem que faz com que aquela goste de ver. É sempre benéfico dar a uma mulher a impressão de que nos estamos a queimar com todas as outras. Elas gostam disso. Sabem que não é assim que funciona (porque as outras mulheres, felizmente, também acham graça), mas gostam à mesma.


A audácia, para além de pública e explícita, tem de ser breve. Diz-se e faz-se o que se tem para apresentar e, mal esteja dito e feito, desaparece-se dali para fora. Tem de haver longos intervalos entre os gestos, para criar alguma expectativa, mas também para demonstrar que aquele amor é sério e definitivo, e que o tempo não lhe faz mossa.


Escusado será dizer que, se a pretendida reclamar ("Então, se estava tão apaixonado, como conseguiu estar dois anos sem me dizer nada?", a vitória já não tardará.


Há uma razão para este espacejamento entre relâmpagos. É o subtexto obrigatório da audácia. Seja na forma "Tu não gostas de mim, mas um dia hás-de gostar", ou na variante "Tu gostas de mim, só que ainda não sabes", é essencial que fique claro que não nos passa pela cabeça que elas gostem de nós.


A audácia é uma teimosia da eternidade. Não é um atrevimento fugaz. É pacientíssima, porque sabe que é só uma questão de tempo. Não é uma insistência monocórdica e chata. Para o mulherengo, a táctica da "água mole em pedra dura" é o recurso desesperado dos stalkers. Se a pedra é dura, mais eficaz será um jacto de magma incandescente, de três em três meses. Ou anos.


Resta dizer que os gestos de audácia têm de ser concebidos de maneira a não haver dúvidas que se dirigem àquela mulher e apenas àquela mulher. Se possuírem o mais leve cheirinho de aplicação colectiva (ou de possibilidade de repetição), não prestam e serão mal recebidos, selando para sempre aquela sorte.


Um gesto de audácia é um compromisso unilateral - a nada obriga por parte da mulher - mas é especificamente dirigido àquela pessoa. É esta abnegação de contrapartidas, e a estrondosa abertura com que é proclamada, que dão força à audácia e fazem dela uma das grandes armas dos mulherengos de longo prazo.
Use-a com a alma cheia e sem cuidado!


in Maxmen, nº 84, [Lisboa], Março de 2008, pp. 40-41

01 de Julho, 2008

Podes drogar-te: tabaco é que não!!!

Vera Gomes

Holanda proíbe tabaco nos “charros”

A partir desta terça-feira, se passar por Amesterdão e quiser ser romano, não se esqueça de tirar o tabaco do “charro”, que continua a ser legalmente permitido fumar.

A peculiaridade da lei holandesa anti-tabaco, que entra em vigor neste dia, proíbe o consumo de cigarros, mesmo nos cerca de 750 “coffee-shops” holandeses, onde se pode continuar a consumir drogas como haxixe e marijuana.

Como a generalidade mistura tabaco e haxixe, a fim de contornar a lei e manter os clientes em estado capaz de fumar e ficar de pé ao mesmo tempo, evitando charros puros, os donos dos “coffee-shops” estão a recorrer a vaporizadores. Um engenho que armazena o vapor da queima a erva, depois inalada pelos clientes.

Como o cliente inala, em vez de fumar, os proprietários evitam as sanções dos inspectores de saúde, que procuram, somente, violações à lei anti-tabaco, conta o “El País”.

A proibição de fumar nos locais de trabalho, em vigor desde 2004, foi agora alargada aos estabelecimentos de hotelaria e restauração, apesar dos pedidos de prorrogação da isenção dos “coffee-shop”. Em resultado disso, os charros deixam de poder ser feitos com tabaco.

Entrepostos de droga
 
Os partidos Social-Democrata, Verdes e liberais de esquerda defendiam a isenção dos coffee-shops na lei, que agora se aplica também a salas de congressos e aeroportos. A associação Nacional de Coffee-shops, citada pelo “El País” teme que “a lei transforme os estabelecimentos em entrepostos, retirando-lhes a função social de evitar o tráfico”.

Apesar das dificuldades, não há grandes preocupações. “É possível que se aumente as combinações com outras ervas [como a farfalha] e generalizemos uso dos vaporizadores”, explica Jeanneke, uma jovem empregada do “Kandinsky”, um dos locais mais conhecidos de Amesterdão.

 

in JN Online, 01/07/2008

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