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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

Tia Rosa

Cá estava eu, tranquila no mundo dos sonhos quando fui interrompida por uma bater timido na porta. Esperei uns segundos a tentar perceber se seria sonho ou se realidade. Para grande desgosto meu, era realidade. Contrariada levantei-me da cama, desci as escadas em direcção à porta ainda a tentar decolar as pestanas superiores das inferiores. Abri a porta e ia morrendo de susto.
Há minha frente estava a Rosie da série Will & Grace. Sim, estava à minha frente uma mulher gorda, de bigode e óculos escuros, com péssimo gosto para moda. E perguntou-me: "É aqui que mora a Tia Rosa?" Aparvalhada e sonolenta disse-lhe que não e fechei a porta.
Meu caros amigos, ainda estou traumatizada por este encontro de 279364º grau. Isto aconteceu ontem de manhã, mas só hoje fui capaz de escrever esta minha experiência astral.

Fernando Pessoa - O Amor quando se revela

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

A Língua Portuguesa no seu esplendor

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Há frases que marcam toda a diferença. Basta viajar por este vasto Portugal para admirarmos a eloquência da língua portuguesa.
Note-se que se trata de um quadro bordado a ponto de cruz. Há que dar o louvor necessário à pessoa que bordou o quadro pela dedicação e atenção que empregou nesta obra de arte.

Alandroal e Mertolas

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Sabado de sol, dia de passeio! E nada melhor para descontrair de uma longa e dura semana de trabalho, nada melhor que uma boa refeição com oa amigos seguido de algumas "Mertolas" em terras espanholas!

Poema

"Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo."

Porque ando numa de poesia...

"Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco."

Carlos Drumond Andrade

Há palavras que nos beijam...

Cheguei a ter medo de te perder
Tu não chegaste sequer a ter medo.
Este silêncio de já não termos palavras
Ouve-se nas outras palavras que trocamos.

Miserável mundo nosso e alheio,
Igual ao que todos disseram da sua época,
E pior, porque este vivemos nós
E conhecemos nós, cada um conforme pode.

Já morreram os ídolos todos da infância
E os da adolescência vão a caminho,
Sobrevivente é o teu olhar cego
(hoje já só há um dos Righteous Brothers)

Na feira das velharias uma caixa
Para tabaco com uma rosa verde.
Tem o preço ainda em escudos, uma falha
Num dos cantos, uma pequena cruz em cal.

Permaneces aí, à lareira, lendo livros vivos
E o seu turbilhão de palavras profundas.
Nunca mais chega o medo de nos perdermos,
Eco um do outro em ricochete de silêncios.

Helder Moura Pereira (1949), in Mutuo Consentimento

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