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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

27 de Maio, 2006

Tica & Teco

Vera Gomes
Quem me conhece sabe que tenho dois gatos que têm tanto de amorosos como de traquinas. Como isto por aqui é sossegado, de vez em quando deixo os gatos irem à rua apanharem ar e conviverem com os restantes animais que moram nesta zona.
Eles vão, voltam, sentam-se à porta a ver a malta passar, socializam com os transeuntes. É uma alegria para eles.
Hoje, contudo deparei-me com algo insólito. Ia eu tratar do meu almoço, quando reparei uma coisa prateada no tapete. Aproximei-me lentamente. Que seria aquilo? A pouco e pocuo comecei a ver-lhe as formas: rectangular mas gorduchinha, brilhante mas sem ofuscar. Aproximei-me mais um pouco e vi então o que era: uma sardinha!!!! Os meus gatos fanaram uma sardinha a alguém e trouxeram-na para casa!!!!
26 de Maio, 2006

O calor em Lisboa

Vera Gomes
Sai. Nem chegou a 3 horas a minha saída. Cheguei a casa com um convite para café, um convite para jantar, perdi a conta às assobiadelas e piscares de olhos. O calor chegou e a idiotice humana também. O calor tem um efeito perverso nos homens que lhes põe as hormonas aos saltos e prontos a exercer a sua função de macho. As mulheres, essas... depende. Umas despem-se, outras mostram aquilo que deviam tapar, outras tapam aquilo que deviam mostrar.
Aqui estou eu, na segurança do lar, a comer azeitonas e beber panachés, a pensar que o melhor será sair de casa mais logo. Esperar que o calor abrande e os saltos hormonais também. Se não é do calor, é do meu ar nortenho...
21 de Maio, 2006

Arte

Vera Gomes
No Museu de Arte Antiga de Lisboa está patente uma exposição de pintura deveras interessante. A parte dedicada aos impressionistas vale mais do que tudo o resto. Aqui fica um dos meus quadros preferidos da exposição, de Paul Signac seguido de uma breve explicação do movimento que este senhor iniciou.

Paul Signac.jpg
O pontilhismo surgiu na França, como tantos outros movimentos culturais, por volta do ano de 1880. A França era, nessa época, capital cultural do mundo e nada mais natural que ser a origem de toda uma onda de movimentos inovadores, que vieram para marcar a história ou simplesmente passar quase desapercebido, conforme cada caso. O pontilhismo nasceu da observação de que pontinhos de cores puras colocados cuidadosamente lado a lado produziam o mesmo efeito de misturar as mesmas cores na paleta.
Os impressionistas já pregavam que as cores deviam ser usadas em justaposição, ao invés de misturadas como era o comum. Os pontilhistas apenas levaram esse princípio ao extremo. Talvez devêssemos chamá-los de exagerados. Os pontilhistas começaram a teorizar sobre o assunto, tomando como base os princípios científicos da ótica e desenvolveram uma teoria complicada na busca de uma exatidão para a mistura dos pontos. Claro que fazemos isso hoje em nossos computadores usando programas que trabalham para nós mas naquela época a tarefa foi bastante complexa.
Os pontilhistas criaram toda uma teoria matemática para a combinação dos pontos coloridos e foram tratados como pintores de confete, pelos adversários do movimento. Na prática, nem todos os artistas seguiam o rigor matemático apregoado e foram desenvolvendo sua arte de maneira mais empírica e improvisada. Os principais iniciadores do movimento, Georges Seurat e Paul Signac representam também os pontos mais altos dessa técnica.
21 de Maio, 2006

Não há Sabado sem sol

Vera Gomes
E ontem não foi a excepção da regra. Dia de limpar o cotão. Acordei cedíssimo (como sempre) e lá resolvi limpar os desenhos artisticos que os miúdos fizeram na parede da casa, lavar cortinas e janelas. Enfim... uma autêntica fada do lar. De tarde, depois de uma visita ao Colombo para comprar a prenda de aniversário do papá que faz anos em breve e almoçar com uma amiga, apercebi-me que quando o dia começa cedo, mais tarde ou mais cedo, apenas ficamos com as coisas que não nos apetece fazer para fazer. Resolvi portanto, dar asas aos meus dotes de electricista e consertar a ficha que tinha ido à vida há algumas semanas atrás. Impecavel! Quando me fartar de trabalho de secretária, vou para electrecista.
Obviamente o ponto alto do dia foi quando me lembrei de tirar as lentes de contacto. Portanto, ontem não adormeci de lentes: adormeci de óculos!
17 de Maio, 2006

Ao 2º copo de vinho....

Vera Gomes
Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um so mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.

Pablo Neruda
17 de Maio, 2006

Truques & Manias

Vera Gomes
Depois de meia semana depressiva, nada melhor do que uma cura exaustiva no previlégio da solidão de se estar só. Uma garrafa de vinho tinto, um livro, música e qual Xanax qual quê?!

Fica aqui um registo de Pablo Neruda que hoje me acompanha:
Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade

PS: se disserem que escrevi isto, direi que foi do vinho...

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