Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

Tica & Teco

Quem me conhece sabe que tenho dois gatos que têm tanto de amorosos como de traquinas. Como isto por aqui é sossegado, de vez em quando deixo os gatos irem à rua apanharem ar e conviverem com os restantes animais que moram nesta zona.
Eles vão, voltam, sentam-se à porta a ver a malta passar, socializam com os transeuntes. É uma alegria para eles.
Hoje, contudo deparei-me com algo insólito. Ia eu tratar do meu almoço, quando reparei uma coisa prateada no tapete. Aproximei-me lentamente. Que seria aquilo? A pouco e pocuo comecei a ver-lhe as formas: rectangular mas gorduchinha, brilhante mas sem ofuscar. Aproximei-me mais um pouco e vi então o que era: uma sardinha!!!! Os meus gatos fanaram uma sardinha a alguém e trouxeram-na para casa!!!!

O calor em Lisboa

Sai. Nem chegou a 3 horas a minha saída. Cheguei a casa com um convite para café, um convite para jantar, perdi a conta às assobiadelas e piscares de olhos. O calor chegou e a idiotice humana também. O calor tem um efeito perverso nos homens que lhes põe as hormonas aos saltos e prontos a exercer a sua função de macho. As mulheres, essas... depende. Umas despem-se, outras mostram aquilo que deviam tapar, outras tapam aquilo que deviam mostrar.
Aqui estou eu, na segurança do lar, a comer azeitonas e beber panachés, a pensar que o melhor será sair de casa mais logo. Esperar que o calor abrande e os saltos hormonais também. Se não é do calor, é do meu ar nortenho...

Arte

No Museu de Arte Antiga de Lisboa está patente uma exposição de pintura deveras interessante. A parte dedicada aos impressionistas vale mais do que tudo o resto. Aqui fica um dos meus quadros preferidos da exposição, de Paul Signac seguido de uma breve explicação do movimento que este senhor iniciou.

Paul Signac.jpg
O pontilhismo surgiu na França, como tantos outros movimentos culturais, por volta do ano de 1880. A França era, nessa época, capital cultural do mundo e nada mais natural que ser a origem de toda uma onda de movimentos inovadores, que vieram para marcar a história ou simplesmente passar quase desapercebido, conforme cada caso. O pontilhismo nasceu da observação de que pontinhos de cores puras colocados cuidadosamente lado a lado produziam o mesmo efeito de misturar as mesmas cores na paleta.
Os impressionistas já pregavam que as cores deviam ser usadas em justaposição, ao invés de misturadas como era o comum. Os pontilhistas apenas levaram esse princípio ao extremo. Talvez devêssemos chamá-los de exagerados. Os pontilhistas começaram a teorizar sobre o assunto, tomando como base os princípios científicos da ótica e desenvolveram uma teoria complicada na busca de uma exatidão para a mistura dos pontos. Claro que fazemos isso hoje em nossos computadores usando programas que trabalham para nós mas naquela época a tarefa foi bastante complexa.
Os pontilhistas criaram toda uma teoria matemática para a combinação dos pontos coloridos e foram tratados como pintores de confete, pelos adversários do movimento. Na prática, nem todos os artistas seguiam o rigor matemático apregoado e foram desenvolvendo sua arte de maneira mais empírica e improvisada. Os principais iniciadores do movimento, Georges Seurat e Paul Signac representam também os pontos mais altos dessa técnica.

Não há Sabado sem sol

E ontem não foi a excepção da regra. Dia de limpar o cotão. Acordei cedíssimo (como sempre) e lá resolvi limpar os desenhos artisticos que os miúdos fizeram na parede da casa, lavar cortinas e janelas. Enfim... uma autêntica fada do lar. De tarde, depois de uma visita ao Colombo para comprar a prenda de aniversário do papá que faz anos em breve e almoçar com uma amiga, apercebi-me que quando o dia começa cedo, mais tarde ou mais cedo, apenas ficamos com as coisas que não nos apetece fazer para fazer. Resolvi portanto, dar asas aos meus dotes de electricista e consertar a ficha que tinha ido à vida há algumas semanas atrás. Impecavel! Quando me fartar de trabalho de secretária, vou para electrecista.
Obviamente o ponto alto do dia foi quando me lembrei de tirar as lentes de contacto. Portanto, ontem não adormeci de lentes: adormeci de óculos!

Ao 2º copo de vinho....

Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um so mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.

Pablo Neruda

Truques & Manias

Depois de meia semana depressiva, nada melhor do que uma cura exaustiva no previlégio da solidão de se estar só. Uma garrafa de vinho tinto, um livro, música e qual Xanax qual quê?!

Fica aqui um registo de Pablo Neruda que hoje me acompanha:
Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade

PS: se disserem que escrevi isto, direi que foi do vinho...

Pág. 1/2