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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

21 de Março, 2006

A arte da Cusquice

Vera Gomes
Hoje no autocarro cruzei-me com duas personagem singulares. De facto, os autocarros da Carris são um ponto de encontro com pessoas deveras sui generis.

Estas duas senhoras já com uma certa idade, quase quase se pode afirmar que estão na 3ª idade, alegremente seguiam sentadas a cuscar sobre tudo e mais alguma coisa. Não houve vizinha que escapasse à suas investidas viperinas nem os pobres trauseuntes na rua que apressadamente e ainda sonolentos tentatavm chegar a algum lado.

Logo pela manhã, ouvir a "Caras" versão Não Jet Set custa. Parece que a Maya com as suas rubricas cor-de-rosa matinais (eu sei porque estive doente e tive que levar com ela) está a influenciar grande parte da população feminina que tenta seguir o seu exemplo e começa logo de manhãzinha com tertúlias de escárnio e maldizer! Tenham dó!
20 de Março, 2006

A minha prima

Vera Gomes
Eu tenho uma Prima. Com P grande! Quer dizer... é baixinha como eu, mas uma mulher não se mede aos palmos mas sim pela sua capacidade de enfrentar adversidades. A minha Prima é do Norte, carago! (Só podia ser do Norte). É inteligente, é bonita, sexy e divertida. Mistura explosiva, digo eu! Quanto aos homens,... esses não sabem dizer porque têm pouco rastilho para tanto dinamite!
A Prima tem um novo blog ( Tunana em grande ). Ganda maluca, é o que é! Doida como sempre, promete arrasar com qualque um! Porque ela é assim: forte, corajosa, brilhante! É a estrela polar que brilha mais alto!
18 de Março, 2006

Boysbands e afins

Vera Gomes
Todos nós sabemos que as Boysbands e afins são meras ilusões. Consistem numa data de gajos ou gajas, relativamente agradaveis ao olho, eles com bom ar, elas menos vestidas, em ambos os casos a abanarem-se e insinuar-se.
O que me espantou hoje, foi ver os Il Divo ao fazer zapping. Mas alguém acredita que eles quatro bonzões sabem cantar?! Aliás, alguém esteve com atenção ao playback? Já cantava Carlos Paião:"Podes não saber cantar,/ Nem sequer assobiar/ Com certeza que não vais desafinar/Em play-back, em play back, em play-back!" E acrescento eu, se tiveres um bom corpinho e sorrires o suficiente, ninguém nota.
17 de Março, 2006

A mais vil de todas as necessidades

Vera Gomes
"A mais vil de todas as necessidades - a da confidência, a da confissão. É a necessidade da alma de ser exterior. Confessa, sim; mas confessa o que não sentes. Livra a tua alma, sim, do peso dos teus segredos, dizendo-os; mas ainda bem que os segredos que digas, nunca os tenhas tido. Mente a ti próprio antes de dizeres essa verdade. Exprimir é sempre errar. Sê consciente: exprimir seja, para ti, mentir."

Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'
15 de Março, 2006

A arte do Amor na actualidade por MEC

Vera Gomes
Mesmo que Dom Pedro não tenha arrancado e comido o coração do carrasco de Dona Inês, Júlio Dantas continua a ter razão: é realmente diferente o amor em Portugal.

Basta pensar no incómodo fonético de dizer «Eu amo-o» ou «Eu amo-a». Em Portugal aqueles que amam preferem dizer que estão apaixonados, o que não é a mesma coisa, ou então embaraçam seriamente os eleitos com as versões estrangeiras. «I love you» ou «Je t’aime». As perguntas «Amas-me?» ou «Será que me amas?» estão vedadas pelo bom gosto, senão pelo bom senso. Por isso diz-se antes «Gostas mesmo de mim?», o que também não é a mesma coisa.

O mesmo pudor aflige a palavra «amante», a qual, ao contrário do que acontece nas demais línguas indo-europeias, não tem em Portugal o sentido simples e bonito de «aquele que ama, ou é amado». Diz-se que não- sei- quem é «amante» de outro, e, entende-se logo, maliciosamente o biscate por fora, o concubinato indecente, a pouca vergonha, o treco - lareco machista da cervejaria, ou o opróbio galináceo das reuniões de «tupperwares» e de costura.

«Amoroso» não significa cheio de amor, mas sim qualquer vago conceito a leste de levemente simpático, porreiro, ou giríssimo Quem disser, «a minha amada» - ou, pior ainda, «o meu amado» - arrisca-se a não chegar ao fim da frase, tal o intenso e genuíno gáudio das massas auditoras em alvoroço. «Amável» nunca quer dizer capaz de ser amado, e, para cúmulo, utiliza-se quase sempre a frase no pretérito (« Você foi muito amável em ter-me convidado para a inauguração da sua Croissanterie»). Finalmente «um amor» é constantemente aviltado na linguagem coloquial, podendo dizer-se indistintamente de escovas de dentes, contínuos que trazem os cafés a horas, ou casinhas de emigrantes. ( O que está a acontecer com o adjectivo «querido» constitui, igualmente, uma das grandes tragédias da nossa idade.)

Talvez a prática mais lastimavelmente absurda, muito usada na geração dita eleita, seja aquela de chamar «amigas» ás namoradas. Isto porque os portugueses, raça danada para os eufemismos, também têm vergonha das palavras «namorado» e «namorada». Quando as apresentam a terceiros, nunca dizem «Esta é a Suzy, a minha namorada» - dizem sempre «Esta é uma amiga minha, a Suzy», transmitindo a implícita noção, muito cara ao machismo lusitano, de que se trata de uma entre muitas . E, também assim , como se não lhes bastasse dar cabo do «Amor», vão contribuindo para o ajavardamento semântico da «Amizade».

Isto tudo em público –claro- porque, em particular, a sós, funciona o síndroma plurissecular do «só- nós- dois -é- que- sabemos» e os portugueses tornam-se pinga - amores ao ponto de se lhes aconselhar vivamente a utilização de coleiras de esponja muito grossa. Nisto, o sexo forte é bastante mais vira – casacas que o fraco. Em público, são as «amigas», o Guincho, os «drinques» e as apreciações estritamente boçais do sexo oposto. Dêem-lhes, porém, cinco minutos a sós com a suposta «amiga» e depressa verão todos os índices aceitáveis de pieguice, choraminguice e «love – and- peace» babosa e radicalmente ultrapassados; ao ponto de fazer confundir a Condessa de Segur com Joseph Conrad. As infelizes «amigas» reprimem com louvável estoicismo o enjoo, e aconselham-lhe a moderação. As mais estúpidas não compreendem e vão depois dizer ás amigas que os namorados têm feitios muito complexos, porque quando estão acompanhados são uns brutos do bilhar grande, e quando estão sozinhos transformam-se em donzelas delicodoces, inexplicavelmente ainda mais nauseabundas do que elas.

A retracção épica a que os portugueses se forçam no uso próprio das palavras do amor quando o contexto é minimamente público parece atirá-los, ilogicamente, para uma confrangedora cartase de lamechices cada vez que se encontram sós com quem amam. Dizer «Eu amo-te» é dizer algo que se faz. Dizer «Eu tenho uma grande paixão por ti» é bastante menos do que isso – é apenas algo que se tem, mais exterior e provisório. Os portugueses, aliás, sempre preferiram a passividade fácil do «ter» á actividade, bastante mais trabalhosa, do «fazer».

A confusão do amar com o gostar, do amor com a paixão, ou do afecto, tornam muito difícil a condição do amante em Portugal. Impõe-se rapidamente o esclarecimento de todos estes imbróglios. Que bom seria poder dizer «Estou apaixonado por ela, mas não a amo», ou «Apresento-te a minha namorada», ou «Ele é tão amável que não se consegue deixar de amá-lo». Estas distinções fazem parte dos divertimentos sérios das outras culturas e, para poder-mos divertir-nos e fazê-las também, é urgente repor o verbo «amar» em circulação, deixarmo-nos de tretas, e assim aliviar dramaticamente o peso oneroso que hoje recai sobre a desgraçada e malfadada «paixão».
14 de Março, 2006

A RTP nunca mais volta a ser a mesma

Vera Gomes
Hoje foi dia de deslumbrar a RTP com o meu talento natural que emana por todos os poros da minha pele. Quer dizer.... depois da caracterização, duvido que tenha sido por todos os poros. Lá cheguei eu, não sem antes andar um pouco perdida. Algo do género: "acho que devia ter virado ali" 100 mts "pois... tinha mesmo de virar ali atrás".
Depois de pensar que tinha chegado aos armazéns das obras, confirmaram-me telefonicamente que sim, era mesmo ali. Aguardei uns minutos nos sofás verdes, azuis e vermelhos, clara homenagem às cores da pátria. Encaminharam-me para a sala de caracterização. Lá esperava-me um rapaz, muito simpático e delicado que pôs mãos à obra. Desenrolou uma tira de pano com bolsinhas onde jaziam os seus instrumentos de trabalho e partiu na sua missão de me besuntar. Durante momentos pensei em contratá-lo para que estivesse cá em casa todos os dias de manhã para me ocultar as habituais olheiras. Creio que quem o estivesse observar pensava que ele era um pintor a trabalhar na sua obra prima. Entre conversas e risadas lá me foi "caracterizando".
Quando acabou a sua tarefa, aguardava-me uma moça, também ela simpática e risonha. Chegou a vez do cabelo. Escovadela aqui, escovadela ali e estava pronta para as gravações. Cá entre nós, estava magnifica! (Só no final me apercebi que parecia uma Tia de Cascais).
Lá nos encaminharam para o estúdio. Luzes, câmara, microfones, som som e Acção! A gravação correu bem, exceptuando a parte em que descobri que as duas palavras que hoje não consigo dizer (pelo menos naquelas horas) são: vulnerabilidade e calendarização. Mas safei-me bem. Gravação correu bem. Tudo impec!
No final, simpáticos como sempre, ofereçam uma cópia da gravação do programa. E aí fiquei incrédula. A cópia é em VHS!!!!! VHS!!! Nem queria acreditar! Nos tempos em que estamos, uma cópia VHS. Mas onde é que vou ver a gravação?! Ainda se vendem leitores de VHS? Alguém ainda tem leitores de VHS?!
Lá vim para casa, com a tinta robialac no cara, o cabelo tipo diva. A pele nem conseguia respirar. Conclusão: gastei 4, sim, 4 (quatro) toalhitas desmaquilhantes para tirar aquela bosta da cara. E foi quando comecei esta árdua tarefa que me apercebi que parecia uma Tia de Cascais. A tinta robialac funcionou debaixo das luzes e perante as câmaras, mas ao vivo... nhec!!!!! Apercebi-me então, porque é que na televisão todas parecem bonitas. Nem quero imaginar como será a Manuela Moura Guedes fora dos ecrãs... É demasiado doloroso!!!
14 de Março, 2006

Dia D

Vera Gomes
A boa noticia é que o nariz não está tão vermelho. Com a dose certa de pó de arroz, pode ser que as pessoas se concentrem no que vou dizer e não na vermelhidão do nariz.
Hoje é dia de gravações na RTP. Torçam por mim! Seria muita bronca não conseguir responder ao jornalista!
13 de Março, 2006

Se me faz rir, merece estar aqui!

Vera Gomes
Na noite passada, fui convidado para uma reunião com "A MALTA".
Disse à minha mulher que estaria de volta pela meia-noite: - "Prometo!".
Mas as horas passaram rápido, o sangue já escasseava no meio do álcool e estava já a dar a volta às ideias.

Por volta de 3 da manhã, bêbado que nem um cacho, fui para casa. Mal entrei e fechei a porta, o cuco no hall disparou e "cantou" 3 vezes.

Rapidamente, percebendo que a minha mulher podia acordar, eu fiz "cu-cu" mais 9 vezes. Fiquei realmente orgulhoso de mim mesmo por ter uma ideia tão brilhante e rápida, mesmo com uma bebedeira de caixão à cova, para evitar um possível conflito com ela.

Na manhã seguinte, a minha mulher perguntou a que horas eu tinha chegado e eu disse-lhe que pela meia -noite. Ela não pareceu nem um pouquinho desconfiada. Ufa! Daquela eu tinha escapado!

Então, ela disse: - Nós precisamos de um novo relógio de cuco, amor...

Quando eu perguntei porquê, ela respondeu:
- Bom, esta noite o nosso relógio fez "cu-cu" 3 vezes e depois disse ".....dassssse!" Fez "cu-cu" mais 4 vezes, pigarreou, cantou mais 3 vezes, riu, cantou mais 2 vezes...Depois tropeçou no gato, disse "merda!" e peidou-se!...