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Escadinhas do Quebra Costas

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

(con)Viver com Doenças Inflamatórias do Inflamatórias do Intestino. Aventuras, desventuras e muita galhofa! Que a rir custa menos e por isso "Sou feliz só por preguiça."

O Amor não existe sem ciúme

Se o ciúme nasce do intenso amor, quem não sente ciúmes pela amada não é amante, ou ama de coração ligeiro, de modo que se sabe de amantes os quais, temendo que o seu amor se atenue, o alimentam procurando a todo o custo razões de ciúme.
Portanto o ciumento (que porém quer ou queria a amada casta e fiel) não quer nem pode pensá-la senão como digna de ciúme, e portanto culpada de traição, atiçando assim no sofrimento presente o prazer do amor ausente. Até porque pensar em nós que possuímos a amada longe - bem sabendo que não é verdade - não nos pode tornar tão vico o pensamento dela, do seu calor, dos seus rubores, do seu perfume, como o pensar que desses mesmos dons esteja afinal a gozar um Outro: enquanto da nossa ausência estamos seguros, da presença daquele inimigo estamos, se não certos, pelo menos não necessariamente inseguros. O contacto amoroso, que o ciumento imagina, é o único modo em que pode representar-se com verosimilhança um conúbio de outrem que, se não indubitável, é pelo menos possível, enquanto o seu próprio é impossível.
Assim o ciumento não é capaz, nem tem vontade, de imaginar o oposto do que teme, aliás só pode obter o prazer ampliando a sua própria dor, e sofrer pelo ampliado prazer de que se sabe excluído. Os prazeres do amor são males que se fazem desejar, onde coincidem a doçura e o martírio, e o amor é involuntária insânia, paraíso infernal e inferno celeste - em resumo, concórdia de ambicionados contrários, riso doloroso e friável diamante.

Umberto Eco, in 'A Ilha do Dia Antes'

Tentação...

Outra utilidade das tentações é que tornam o homem solícito, exercitam-no e não o deixam ser preguiçoso ou ocioso; de modo que o induzem a vigílias, a orações e a jejuns, além de outros exercícios espirituais que o levam à perfeição da vida espiritual

Fonte: "Specchio di vera penitenza"
Autor: Passavanti , J.

Felicidade é Capacidade de Contemplação

Quanto mais se desenvolve a nossa faculdade de contemplar, mais se desenvolvem as nossas possibilidades de felicidade, e não por acidente, mas justamente em virtude da natureza da contemplação. Esta é preciosa por ela mesma, de modo que a felicidade, poderíamos dizer, é uma espécie de contemplação.

Aristóteles, in 'Ética a Nicómaco'

Meninos de Oiro

Escrevo esta crónica em plena quadra natalícia, numa altura em que os homens, coitados, na sua pequenez de vista, acham que nós queremos receber jóias, uma casaquito do Cavali, um fim de semana numa linda pousada, um microondas para enfiarmos a cabeça lá dentro, etc., etc.
Nem estão enganados os pobres. Mas, o que nós queriamos mesmo era homens que soubessem fazer um minete "comme il faut". Eu explico. Estas almas penadas vieram ao mundo com um gene que lhes meteu na cabeça que fazer um bom minete é um dado adquirido. Pois aqui vai uma notícia: não é! O mais giro é que perguntando aos desgraçados dos meus amigos, "ex" e afins (o leque é grande e a probabilidade de acertar quase igual à da EuroSondagem), todos acham que fazem "o" minete. Extraordinário! Mas, alguém se lembrou de perguntar às respectivas? Não! E todos continuam convencidos de que são os "maiores" nesta lide particular. Burros! Ora da mesma forma que nós - grandes falsas- esperneamos, dizemos "ahhh! Sim! Huuuuuuuuuuuuum!" e nos mexemos "à Canal 18"para fingir um orgasmo durante o acto, o mesmo fazemos enquanto nos estão a meter a cara entre as pernas. Assumindo uma posição tipo "Dra Ruth" - é o que me chama no gozo a minha editora -, arrisco a dizer que 80% dos homens fazem minetes como os São Bernardos lambem as vítimas perdidas na neve. Lambem, lambem...sem saber porquê e onde. E nós fazemos o nosso papel, para os pobres coitados não ficarem cheios de complexos (de vez em quando, algumas ganham coragem e dizem "querido, não te importas de fazer assim, ou assado?", mas ainda é raro). Depois há cerca de 10% que têm jeito para a coisa: um potencial elevado para um "minete-colibri" - bate as asinhas e "truca!" acerta no alvo sem grandes lambidelas ou aparato. E, finalmente, vêm os abençoados, que já foram como os anteriores mas entretanto leram livros da especialidade e fazem os "minetes de oiro". São os "meninos de oiro", coisa rara nos dias que correm.
E mais uma vez os caracteres lixam-me a prosa - não as ideias. Mas não é por isso que ficam os senhores leitores sem uma ideia para uma prenda jeitosa para o Natal, daquelas que aprendida, é só dar."

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