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Ode à Colite

Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi para te soltar
Antes de ti, só segurei
Cansado e sem lugar para largar

Meu bem, ouve os teus intestinos
Peço que regresses, que os voltes a mandar
Eu sei que não se solta sozinho
Talvez, devagarinho, possas dar mais um peidinho

Meu bem, ouve os teus intestinos
Peço que regresses, que os voltes a mandar
Eu sei que não se solta sozinho
Talvez, devagarinho, possas dar mais um peidinho

Se o teu cu quiser segurar
Não sentir ardor, não quiser soltar
Sem se denunciar do que virá depois
O meu cu pode peidar pelos dois

 

(retirado daqui)

Esqueçam a dieta! Este é o mehor método para o corpinho Victoria Secret Angel!

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 (foto facebook Sara Sampaio)

 

Em Setembro de 2015 iniciei um tratamento ortodôntico (que é como quem diz, meti um aparelho nos dentes) para corrigir os dentes do maxilar inferior que insistiam em encavalitar-se uns em cima dos outros e já ameaçavam expulsar dois para fora da gengiva para todo o sempre.

 

Como já não tenho 12 anos, decidi pôr daqueles invisiveis. Uma espécie de boqueira transparente que nem se nota que se tem (para mim mesma e para os outros) e que apenas retiro para comer. Até aqui tudo. Tivemos que fazer uma pequena cirurgia na gengiva primeiro para tentar que os dois dentes ficassem novamente com a raiz

 

Um dia bom com Colite começa assim...

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Acordas meia hora antes do relógio despertar porque o "urso" está a bater à "porta". Rebolas na cama na esperança que o intestino acalme e consigas dormir mais aquele bocadinho que irá fazer a diferença entre ficares zombie às 11 da manhã ou às 4 da tarde. 

 

O urso continua a bater à porta. Não tens hipótese e acabas por ir ao wc de olhos fechados. Pode ser que seja rápido e ainda consigas uma power nap de 10 minutos no regresso à cama. 

 

Sentas-te na sanita, puxas o banquinho para elevar os joelhos e rezas que seja rápido. Urso vai, vai vai e pensas que acabou. Sacas do papel higiénio e limpas o dito. Mal tiras os pés do banquinho de apoio para ires à tua vida, pimba: o urso continua a bater à porta. Sentas-te novamente. E recomeças o processo. Aqueles 10 possiveis minutos para uma power nap já eram. 

 

Entre urso e tiros, sujas tudo: sanita, mão quando te limpas e por isso tens que passar 5 minutos a pôr a casa de banho decente para quem se segue. Como lavaste as mãos com água fria, não há a menor possibilidade de voltar ao sono de seguida. Deixas o ventilador do wc ligado e usas o ambientador com cheiro a rosas na (vã) tentativa que ninguém note que o urso está à solta. 

 

Não há nada a fazer. O relógio já despertou e por isso o melhor é ir ao banho. Pesaste. Boa! Não há alteração do peso. Entras na banheira com uma sensação injustificável que se calhar vai ser um dia bom. Acabas o banho e vais à cozinha tomar um comprimido para a tua melhor amiga alojada no estomago.Todos os dias em jejum - disse o médico. Vais vestir-te. Sentes alguma actividade na zona abdominal que esperas serem ursinhos a assentarem para hibernar. Maquilhas-te. Vais para a cozinha para o pequeno almoço. 

 

Sentas-te e começas a comer as tuas papas de aveia. Sentes os ursinhos todos a agitarem-se. Há que fazer espaço para todos. Vais na segunda colher e a agitação é tanta que tens que ir novamente ao wc. Tipo monopólio: voltas à casa de partida e o processo recomeça. Vantagem: quando voltas a sentar à mesa as papas de aveia estão mornas. Mais fácil e rápido de comer. Ainda bem: porque olhas para o relógio e começas a perceber que estás a ficar atrasada. 

 

Lavas os dentes, maquilhagem, pegas no casaco, carteira, abres a porta de casa e.... urso a bater à porta novamente. Será? Se calhar não! Se calhar é só um protesto. Pelo sim pelo não vais ao wc. Não queres emergência no meio do trânsito ou no metro. Esperas...nada... puxas... nada... ok, falso alarme. Puxas a roupa para cima e... merda! Literalmente: voltas à casa de partida. Ao fins de uns 10 minutos consideras ser seguro e sais de casa. 

 

Entras no carro ou no metro e adivinha quem bate à porta? ;)

A mais triste e cruel realidade....

Estive de férias quase três semanas: nada de agulhas, médicos, tratamentos ambulatório. Nada de análises ao sangue, às fezes, anestesias, drogas na veia e sei mais lá o quê que a minha vida se tornou no último ano. Um verdadeiro sossego. Uma normalidade que já nem sabia o que era. 

 

Esta semana já dois dentistas se reuniram em torno da minha boca sem solução aparente para uma causa desconhecida que ninguém arrisca conhecer. Hoje é dia de droga no hospital para habitual dose mensal de Remicade. Nas próximas duas semanas é altura de análises. Depois dois médicos em dois dias. 

 

Sinceramente? Quero de volta as férias. Pelo menos nas férias, nem me lembro de que não consigo passar mais de 3 semanas sem ver médicos, enfermeiros, agulhas e afins. Sinto saudades dessa anormalidade que é o normal da maioria das pessoas... 

 

 

Somos mais de 5 milhões

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São 9 anos e meio, sem as cenas sensuais do filme, mas com o que eu prefiro acreditar, serem muitas histórias cómicas para contar.  Viver com uma Doença inflamatória do Intestino nem sempre é fácil. Tudo pode parecer estar bem, mas lá por dentro é um turbilhão. Com mais ou menos drogas, o tempo vai passando e o habituamo-nos a um novo normal, que de normal não tem nada. Habituamo-nos a esconder o que de facto sentimos para que não nos julguem "queixinhas" ou porque simplesmente pessoas (a)normais não acreditam no que sentimos, passamos ou sofremos.

 

Amanhã há gente a falar sobre as DII. Porque é preciso desmistificar, esclarecer e ajudar.

 

Hoje é o Dia Mundial das Doenças Inflamatórias do Intestino. Eu tenho recto-colite ulcerativa hemorrágica, quiçá Chron (que aqui a je não faz a coisa por menos). Vocês, que também sofrem do CU, acusem-se! Sem medos! Sem constrangimentos! Sem amarras!

Planos para o fim de semana?

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Todas as perguntas que possam ter (e mais algumas que nem sequer sonham que as têm) serão respondidas no próximo Sábado.

 

Graças a um grupo de pessoas altruístas, médicos, doentes, familiares de doentes, reuniem-se para falar abertamente sobre o que são Doenças Inflamatórias do Intestino. Algo que não acontece com a frequência desejável, mas que é um começo para que se fale mais sobre estas doenças; para que se quebrem tabus e estigmas; para ajudar quem não compreende e quem sofre no cuzinho. 

 

Inscrições aqui. Quem faltas é um ovo podre!

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