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Ode à Colite

Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi para te soltar
Antes de ti, só segurei
Cansado e sem lugar para largar

Meu bem, ouve os teus intestinos
Peço que regresses, que os voltes a mandar
Eu sei que não se solta sozinho
Talvez, devagarinho, possas dar mais um peidinho

Meu bem, ouve os teus intestinos
Peço que regresses, que os voltes a mandar
Eu sei que não se solta sozinho
Talvez, devagarinho, possas dar mais um peidinho

Se o teu cu quiser segurar
Não sentir ardor, não quiser soltar
Sem se denunciar do que virá depois
O meu cu pode peidar pelos dois

 

(retirado daqui)

Um dia bom com Colite começa assim...

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Acordas meia hora antes do relógio despertar porque o "urso" está a bater à "porta". Rebolas na cama na esperança que o intestino acalme e consigas dormir mais aquele bocadinho que irá fazer a diferença entre ficares zombie às 11 da manhã ou às 4 da tarde. 

 

O urso continua a bater à porta. Não tens hipótese e acabas por ir ao wc de olhos fechados. Pode ser que seja rápido e ainda consigas uma power nap de 10 minutos no regresso à cama. 

 

Sentas-te na sanita, puxas o banquinho para elevar os joelhos e rezas que seja rápido. Urso vai, vai vai e pensas que acabou. Sacas do papel higiénio e limpas o dito. Mal tiras os pés do banquinho de apoio para ires à tua vida, pimba: o urso continua a bater à porta. Sentas-te novamente. E recomeças o processo. Aqueles 10 possiveis minutos para uma power nap já eram. 

 

Entre urso e tiros, sujas tudo: sanita, mão quando te limpas e por isso tens que passar 5 minutos a pôr a casa de banho decente para quem se segue. Como lavaste as mãos com água fria, não há a menor possibilidade de voltar ao sono de seguida. Deixas o ventilador do wc ligado e usas o ambientador com cheiro a rosas na (vã) tentativa que ninguém note que o urso está à solta. 

 

Não há nada a fazer. O relógio já despertou e por isso o melhor é ir ao banho. Pesaste. Boa! Não há alteração do peso. Entras na banheira com uma sensação injustificável que se calhar vai ser um dia bom. Acabas o banho e vais à cozinha tomar um comprimido para a tua melhor amiga alojada no estomago.Todos os dias em jejum - disse o médico. Vais vestir-te. Sentes alguma actividade na zona abdominal que esperas serem ursinhos a assentarem para hibernar. Maquilhas-te. Vais para a cozinha para o pequeno almoço. 

 

Sentas-te e começas a comer as tuas papas de aveia. Sentes os ursinhos todos a agitarem-se. Há que fazer espaço para todos. Vais na segunda colher e a agitação é tanta que tens que ir novamente ao wc. Tipo monopólio: voltas à casa de partida e o processo recomeça. Vantagem: quando voltas a sentar à mesa as papas de aveia estão mornas. Mais fácil e rápido de comer. Ainda bem: porque olhas para o relógio e começas a perceber que estás a ficar atrasada. 

 

Lavas os dentes, maquilhagem, pegas no casaco, carteira, abres a porta de casa e.... urso a bater à porta novamente. Será? Se calhar não! Se calhar é só um protesto. Pelo sim pelo não vais ao wc. Não queres emergência no meio do trânsito ou no metro. Esperas...nada... puxas... nada... ok, falso alarme. Puxas a roupa para cima e... merda! Literalmente: voltas à casa de partida. Ao fins de uns 10 minutos consideras ser seguro e sais de casa. 

 

Entras no carro ou no metro e adivinha quem bate à porta? ;)

A mais triste e cruel realidade....

Estive de férias quase três semanas: nada de agulhas, médicos, tratamentos ambulatório. Nada de análises ao sangue, às fezes, anestesias, drogas na veia e sei mais lá o quê que a minha vida se tornou no último ano. Um verdadeiro sossego. Uma normalidade que já nem sabia o que era. 

 

Esta semana já dois dentistas se reuniram em torno da minha boca sem solução aparente para uma causa desconhecida que ninguém arrisca conhecer. Hoje é dia de droga no hospital para habitual dose mensal de Remicade. Nas próximas duas semanas é altura de análises. Depois dois médicos em dois dias. 

 

Sinceramente? Quero de volta as férias. Pelo menos nas férias, nem me lembro de que não consigo passar mais de 3 semanas sem ver médicos, enfermeiros, agulhas e afins. Sinto saudades dessa anormalidade que é o normal da maioria das pessoas... 

 

 

Planos para o fim de semana?

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Todas as perguntas que possam ter (e mais algumas que nem sequer sonham que as têm) serão respondidas no próximo Sábado.

 

Graças a um grupo de pessoas altruístas, médicos, doentes, familiares de doentes, reuniem-se para falar abertamente sobre o que são Doenças Inflamatórias do Intestino. Algo que não acontece com a frequência desejável, mas que é um começo para que se fale mais sobre estas doenças; para que se quebrem tabus e estigmas; para ajudar quem não compreende e quem sofre no cuzinho. 

 

Inscrições aqui. Quem faltas é um ovo podre!

Como maximizar o retorno do investimento

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Já avisei o banco para reforçar o servidor que é agora que a conta vai rebentar! Claro que terei que fazer algum investimento: pão, feijão, grão de bico, cogumelos, bróculos, couve flor terão que voltar ao menu em força.  Dizem que somos o que comemos, e eu basicamente sou um peido gigante se comer alguns destes alimentos. Se alguém vai comercializar peidos, meus caros, eu chego-me à frente! Vamos lá discutir números que tenho que receber retorno do investimento que faço na alimentação de qualidade que mantenho diariamente. Alimentação de qualidade = peidos de qualidade. Portanto, uma espécie de gasolina sem chumbo plus. 

 

Aceito propostas para exploração de gás humano. Contactem-me!

Pimenta no cu dos outros, para mim é refresco!

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Por incrível que pareça a falta de compreensão do que uma pessoa com Doenças Inflamatórias do Intestino é tão grande que há quem diga que fazer a preparação para uma endocospia ou uma colonocospia não custa nada. Só quem nunca teve que fazer uma, é capaz de dizer tal coisa! Há preparações mais fáceis de tolerar do que outras. mas meus amigos, há umas que ainda nem 250ml bebemos e já estamos com vómitos.

 

Há sempre alguém que acha que somos florzinhas de estufa, só porque em alguns casos (como é o meu), parecemos perfeitamente normais. Sem rasto de dor, ou sequer de estamos doentes. Há depois os que, mesmo nos sendo próximos, nem sequer querem saber com a atitude de: pimenta no cu dos outros, para mim é refresco!

 

Adiante. A incompreensão é tanta que um destes dias, havia um grupo de pessoas com DII a congeminarem maneiras de dar uma amostra ao comum dos mortais do que são os nossos dias. Uns votavam em que fizessem apenas uma preparação para colonoscopia bebendo o Citrafleet (que é assim o método mais amiguinho). Repondiam alguns que isso não mostravam nada do que se passa. Outros uma gastroentrite ou uma inoxicação alimentar.

 

Eu, que não sou de meias medidas, propus um pacote completo, tipo spa: uma valente ressaca, seguida de uma directa, seguida de endofalk (uma das piores preparações da colonoscopia). Isto daria três dias de cansaço, diarreia, cólicas, mau estar. Uma pequena amostra.... do que se passa quando se está em remissão!

 

Mas a melhor, senhores, o ponto alto da discussão foi quando uma parceira no crime partilhou o nível de incompreensão no seu local de trabalho. Como alguém isiste em beber da sua garrafa de água, não foi de meias mdidas e matou dois coelhos com um tiro só: meteu gotas dos olhos na sua garrafa de água para que quem anda a beber da sua garrafa tenha uma monumental diarreia! Meus amigos, esta mulher mostra bravura: pode estar a cagar-se toda, mas não permite que ninguém brinque com o que é dela! E em simultâneo de uma forma pedagógica! A minha heroína!

 

Ilustracao de Joao Falcato

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